Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos tomou a decisão de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados. Além disso, o governo americano anunciou que pretende incluir essas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. Essa medida foi recebida com preocupação pelo governo brasileiro, que teme que a classificação possa resultar em ações militares norte-americanas em território nacional ou em sanções contra instituições financeiras que, inadvertidamente, tenham relações com os grupos.
A ação se insere em um contexto mais amplo, seguindo a linha da administração Trump, que já havia rotulado diversos grupos criminosos de países como México como organizações terroristas. Em um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, os dois grupos foram descritos como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com um histórico de ataques direcionados a policiais, autoridades e civis. Segundo informações de Washington, a influência dessas facções ultrapassa o Brasil, atingindo nações vizinhas e até mesmo os EUA.
A nova classificação permite que os Estados Unidos adotem diversas ações, como o congelamento de ativos relacionados às facções que transitem pelo sistema financeiro americano, a proibição de cidadãos e empresas dos EUA de oferecer qualquer tipo de apoio financeiro ou logístico aos grupos, além de intensificar a cooperação com outros governos em investigações e ações de repressão.
O Departamento de Estado destaca que essa medida faz parte da estratégia da administração Trump de lidar com grandes facções da América Latina como “narco-terroristas”, ampliando o uso de sanções e instrumentos de combate ao tráfico e ao crime organizado na região. A decisão também suscita incertezas no sistema financeiro e na economia brasileira, uma vez que bancos e empresas devem compreender as implicações da nova classificação.
Recentemente, autoridades brasileiras relataram indícios de que o PCC estaria utilizando fintechs para lavagem de dinheiro. Em 2022, a Polícia Federal conduziu a maior operação contra o crime organizado na história do país, desmantelando um esquema de lavagem estimado em quase US$ 10 bilhões. Essa nova designação dos EUA pode agravar a situação, visto que no passado, os EUA já miraram instituições financeiras mexicanas por suspeitas de envolvimento na lavagem de recursos oriundos do tráfico de drogas.
As relações entre Trump e Lula deterioraram-se no ano anterior, quando o presidente dos EUA impôs tarifas severas ao Brasil, em uma tentativa frustrada de barrar o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. No entanto, os dois líderes conseguiram restabelecer um entendimento após um encontro na ONU em setembro, onde Trump descreveu Lula como um líder “dinâmico”.