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Mudanças no eleitorado brasileiro: PT encolhe e bolsonarismo SE organiza no PL

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O cientista político Jairo Nicolau analisou dados de 20 anos de eleições presidenciais para compreender as transformações na política brasileira. O período que abrange a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, quatro vitórias seguidas do PT até o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão de Jair Bolsonaro trouxe mudanças significativas no perfil do eleitorado.

De acordo com Nicolau, um dos pontos que mais o surpreendeu foi o crescimento do eleitor de ensino médio, que, nas últimas duas eleições, votou majoritariamente em Jair Bolsonaro no segundo turno, em vez dos candidatos do PT. Ele expressou sua expectativa de que a recuperação de Lula também atraísse esses eleitores, mas isso não se concretizou. Embora Lula tenha melhorado seu desempenho, não foi suficiente para superar Bolsonaro.

O cientista político ressaltou que o PT perdeu parte de sua base de apoio, especialmente entre os eleitores mais pobres e com menor escolaridade, a partir de 2006. A proporção de votos desse segmento não apenas diminuiu, mas também está encolhendo, refletindo uma tendência contínua de queda entre os eleitores com escolaridade até o ensino fundamental.

A polarização política, que se intensificou em 2018 à direita e se aprofundou em 2022 à esquerda, foi outro aspecto abordado por Nicolau em seu livro "O país dividido", recém-lançado pela editora Zahar. Em sua obra anterior, "O Brasil dobrou à direita" (2020), ele já havia explorado o surgimento do bolsonarismo. Agora, ele observa que a direita conseguiu estruturar-se de maneira mais organizada do que previa, especialmente em torno do PL.

Nicolau identificou essa nova organização do bolsonarismo como uma grande novidade, uma vez que o movimento, que antes parecia depender de uma liderança carismática, agora se consolidou dentro de um partido. Essa mudança é fundamental para entender a política brasileira no futuro, uma vez que a estrutura partidária proporciona uma base mais sólida para as candidaturas.

O estudo também destaca como o PL tem se posicionado no mercado eleitoral, demarcando claramente seu território como um partido de direita. Nicolau enfatiza que o PL, com R$ 1 bilhão disponíveis para campanhas eleitorais, se tornou a legenda com mais recursos do fundo eleitoral, além de contar com uma ampla gama de candidatos a deputado e senador. Essa estrutura fortalece a candidatura de Flávio Bolsonaro, que se mostra relevante nas eleições.

Com informações jota.info

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