A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um alerta sobre os potenciais efeitos do El Niño, um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. De acordo com a OMM, a expectativa é que o fenômeno se manifeste de forma moderada ou até forte, resultando em temperaturas globais elevadas e uma maior probabilidade de eventos climáticos extremos a partir de junho até agosto.
As águas quentes no Pacífico estão impulsionando o desenvolvimento do El Niño, que, segundo a OMM, pode persistir até novembro. Especialistas ressaltaram a necessidade de se preparar para um evento que pode intensificar secas e chuvas excessivas, além de aumentar o risco de ondas de calor tanto em regiões terrestres quanto oceânicas. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou a urgência de se preparar para essas condições.
O fenômeno é conhecido por afetar os climas regionais, podendo provocar temperaturas mais elevadas globalmente, enquanto algumas áreas, como o sul da América do Sul e os Estados Unidos, podem enfrentar um aumento nas chuvas. Por outro lado, regiões como a Austrália, a América Central, a Indonésia e partes do sul da Ásia podem sofrer com a escassez de água, além de um aumento na incidência de furacões no Pacífico central e oriental.
O último episódio de El Niño, considerado forte e que ocorreu entre 2023 e 2024, contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente já registrado. Saulo alertou que o calor extremo também pode facilitar a disseminação de doenças transmitidas por vetores e impactar negativamente a produção agrícola em regiões como o Equador e a África Ocidental, que são responsáveis por 60% da produção global de determinados cultivos.
A OMM está monitorando de perto as condições no Pacífico tropical, onde foram observadas temperaturas anormais de até 6 graus Celsius acima da média em profundidades sub-superficiais. Essas condições criam um reservatório de calor que intensifica o aquecimento das águas superficiais.
Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, destacou que essa situação serve como um alerta para a necessidade urgente de transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia renováveis. Ele expressou que as condições do El Niño podem intensificar os desafios já enfrentados em um mundo em aquecimento, classificando o momento como um alerta climático que não pode ser ignorado.