Na manhã desta sexta-feira (5), o Exército de Israel emitiu um alerta de evacuação imediata para os habitantes de diversas localidades no sul do Líbano. A decisão se deve à preparação de novos ataques aéreos destinados a posições do grupo Hezbollah, que, segundo as autoridades israelenses, violou os termos do recente acordo de cessar-fogo ao realizar ataques contra o território israelense.
De acordo com informações oficiais das Forças de Defesa de Israel (FDI), o ataque do Hezbollah resultou em danos a funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU). O Exército israelense relatou que a organização lançou morteiros que atingiram uma posição da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), resultando na morte de um membro da ONU e ferindo outros dois.
A confirmação do ataque foi fundamentada na análise da trajetória de lançamento, que indicou claramente a responsabilidade do Hezbollah. O porta-voz da IDF, Avichay Adraee, divulgou um comunicado às 3h15, instruindo os civis a deixarem suas residências imediatamente e a se dirigirem a áreas abertas ao norte do rio Zahrani, um local considerado seguro a cerca de 40 quilômetros da fronteira.
O alerta de evacuação abrange áreas localizadas de forma estratégica ao longo da costa entre as cidades de Tiro e Sidon, afetando especialmente os municípios de Sarafand e Saksakiyeh, além de vilarejos como Arnaya, Anqoun e Kfar Fila. Essa nova ofensiva militar ocorre menos de 48 horas após o anúncio do cessar-fogo, que já estava sob tensão desde quinta-feira (4), quando o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou as condições do acordo durante uma transmissão ao vivo na emissora Al Manar.
Durante a transmissão, Qassem exigiu a retirada total e definitiva das forças israelenses do sul do Líbano, prometendo que a resistência armada continuaria ativa enquanto houvesse tropas estrangeiras no território libanês. Em resposta, Israel adotou uma postura de hostilidade, com o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmando que as forças armadas israelenses possuem total liberdade de ação e contam com o apoio diplomático dos Estados Unidos para reagir a qualquer movimentação hostil.
Essa situação de desacordo agrava ainda mais o quadro humanitário na região, que enfrenta intensos combates desde março de 2026. De acordo com as autoridades de saúde locais, os confrontos já resultaram em milhares de vítimas e forçaram mais de um milhão de pessoas a abandonarem suas cidades em busca de segurança. A retomada dos avisos de bombardeio diminui as perspectivas de conciliação e mantém o fluxo contínuo de civis refugiados em direção ao norte do Líbano.