O pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), busca se desvincular dos recentes anúncios de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Para isso, ele lançou um jingle que atribui a criação do sistema de pagamentos instantâneos, conhecido como Pix, ao governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
A música, que foi veiculada nas redes sociais, foi produzida com o auxílio de inteligência artificial e apresenta um ritmo de funk, trazendo o bordão "no governo dele que brotou". A letra do jingle ilustra o uso cotidiano do Pix por trabalhadores em situações comuns, como em feiras e no transporte público.
Esse movimento faz parte da estratégia de Flávio Bolsonaro em resposta ao slogan utilizado pelo governo Lula, que afirma que "o Pix é do Brasil". Em um dos trechos da canção, é possível ouvir: "Agora tem político querendo mudar a versão, tentando apagar a história na força da televisão. Mas a memória do povo não vende e não tem preço, quem viu tudo acontecer, não esquece o começo".
O contexto da criação do Pix se entrelaça com a articulação do governo Lula, que está organizando uma frente contra o tarifaço durante um encontro do G7. No início da semana passada, Lula participou de uma agenda pública onde exibiu um cartaz com a frase escrita à mão, enfatizando a posição do governo em relação ao tema.
O sistema de pagamento foi um dos pontos analisados na investigação comercial realizada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) durante a administração de Donald Trump, sendo um dos fatores que justificaram a nova proposta de tarifas contra o Brasil.
Embora o Pix tenha sido lançado sob a gestão de Jair Bolsonaro, sua concepção inicial ocorreu durante o governo de Michel Temer (MDB), com a equipe técnica do Banco Central trabalhando no projeto. É importante ressaltar que o BC possui autonomia para desenvolver projetos dessa natureza, sem sofrer interferências diretas do Executivo.