Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Portugal neste sábado (21) para protestar contra a crise habitacional no país. Sob o lema “Já não dá”, manifestantes marcharam em Lisboa e em outras 15 localidades, como Porto, Braga e Coimbra, pedindo soluções para o descompasso entre os baixos salários e os altos preços dos imóveis.
A mobilização foi convocada pela plataforma “Casa para Viver” e apoiada por cerca de 80 organizações. Os protestos também denunciavam o impacto da especulação financeira e do turismo no mercado imobiliário. Um relatório recente do Conselho Europeu indicou que Lisboa é a cidade da União Europeia onde os moradores comprometem a maior parte do orçamento com moradia: 116% do salário médio local.
Em Lisboa, centenas de manifestantes se concentraram na Praça do Marquês de Pombal e desceram a Avenida da Liberdade, segurando cartazes com mensagens como “Fartos de escolher pagar renda ou comer” e gritando “Menos renda e mais salário”. O público incluía jovens diretamente afetados pela crise e proprietários que, mesmo com casa própria, reconhecem a gravidade da situação.
O protesto ganhou relevância política após o governo português aprovar um novo pacote de medidas para o setor habitacional. As propostas incluem alterações na lei do arrendamento para agilizar processos de despejo por inadimplência. A plataforma “Casa para Viver” criticou essas regras, considerando-as irresponsáveis e afirmando que penalizam os que mais sofrem com a crise. Movimentos sociais pedem, ao invés disso, a regulação dos preços dos aluguéis e o aumento da oferta de habitação pública.