No dia 12 de junho de 2026, o governo dos Estados Unidos decidiu, com base em considerações de segurança nacional, interromper o acesso aos modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5, desenvolvidos pela Anthropic. Essa suspensão atinge não apenas cidadãos fora do território norte-americano, mas também funcionários estrangeiros da própria empresa, o que levanta sérias questões sobre a aplicação de critérios de nacionalidade na determinação do acesso a tecnologias consideradas essenciais.
A carta enviada pela administração não forneceu detalhes específicos sobre as preocupações de segurança que motivaram a decisão. A Anthropic informou que, até o momento, o governo havia oferecido apenas evidências verbais sobre um possível jailbreak, que não seria abrangente. Para cumprir a determinação sem exceções, a empresa optou por desligar os modelos para todos os usuários.
Essa medida é criticada por adotar a nacionalidade como critério principal de exclusão, em vez de considerar fatores como conduta, vínculos ou riscos individuais. A decisão afeta até mesmo funcionários que trabalham nos Estados Unidos, que estão sujeitos às leis locais e possuem obrigações de confidencialidade, o que cria um paradoxo em relação à exclusão baseada na origem.
Outro ponto preocupante é que a ordem não veio acompanhada de uma justificativa técnica escrita convincente. O governo alegou ter identificado um método restrito para contornar as salvaguardas, mas a Anthropic contestou essa justificativa, afirmando que as vulnerabilidades eram conhecidas e facilmente acessíveis através de outros modelos disponíveis publicamente.
Além disso, a suspensão não elimina a retenção dos dados, que continuam a ser coletados. Isso significa que, enquanto os modelos de inteligência artificial ficam fora do ar, o capital intelectual acumulado permanece sob a posse da empresa. A situação gera um cenário em que a extração de dados por parte da empresa ocorre, mesmo com a restrição de acesso.
Os modelos de inteligência artificial são vistos como a infraestrutura fundamental para a produção de conhecimento nas próximas décadas. Aceitar que a nacionalidade seja o fator decisivo para o acesso a essa tecnologia, enquanto se continua a extrair dados de indivíduos que não têm acesso, representa uma normalização de desigualdades. Tal abordagem pode se refletir em diversas áreas, como crédito, saúde e educação, estabelecendo um sistema em que a origem do usuário determina o tratamento e a qualidade do acesso.
Com informações jota.info