A transição de atletas para a política tem se tornado uma realidade comum entre ex-jogadores de futebol brasileiros. Após pendurarem as chuteiras, muitos deles optam por carreiras em cargos públicos, onde podem utilizar a visibilidade adquirida nos campos para influenciar a sociedade. Entre os que seguiram esse caminho, destacam-se vários ícones da Seleção Brasileira, que agora buscam espaço nos poderes Executivo e Legislativo.
Pelé, um dos maiores jogadores da história do futebol, não ficou fora desse cenário. De 1995 a 1998, ele ocupou o cargo de ministro dos Esportes no governo de Fernando Henrique Cardoso. Durante sua gestão, propôs a Lei nº 9.615/1998, conhecida como Lei Pelé, que trouxe novas diretrizes para os contratos de trabalho dos atletas e garantiu maior liberdade na movimentação entre os clubes.
Eduardo Grin, cientista político e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, ressalta que a visibilidade pública é um ativo importante para ex-atletas. Essa notoriedade pode facilitar o acesso a redes de contatos e até mesmo a captação de recursos para campanhas eleitorais. Contudo, Grin alerta que a fama não se traduz automaticamente em capital político, apontando que muitos ex-jogadores enfrentam dificuldades nas urnas.
O ex-jogador Luis Fabiano, ídolo do São Paulo, anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) para as próximas eleições. Ele fez parte da Seleção Brasileira que conquistou a Copa América em 2004 e a Copa das Confederações em 2009, além de ter disputado a Copa do Mundo em 2010.
Outro nome que decidiu entrar na corrida política é Edmundo, conhecido como "Animal". Ele lançou sua pré-candidatura pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) no Rio de Janeiro. Edmundo teve passagens Pela Seleção em competições importantes, como as Copas América de 1995 e 1997, e foi parte do elenco campeão da Copa do Mundo de 2002, embora não tenha jogado.
Além deles, outros ex-atletas também tentaram a sorte nas eleições. Zé Carlos, lateral que substituiu Cafu na semifinal da Copa de 1998, não obteve sucesso em sua tentativa de se eleger deputado estadual em São Paulo. Já Túlio Maravilha, que fez história no futebol, também buscou um espaço na política, mas não conseguiu se eleger em 2018 ao tentar uma vaga na Câmara dos Deputados.