A recente proposta do governo dos Estados Unidos de estabelecer uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras representa mais do que uma simples tensão comercial. Essa movimentação evidencia que a instabilidade nas tarifas se tornou uma característica estrutural no ambiente de negócios, o que demanda das empresas uma reavaliação aprofundada de suas estratégias para acessar o mercado internacional.
Baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a proposta identifica práticas brasileiras que são consideradas "não razoáveis" em diversos setores, incluindo comércio digital, pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, terras raras e acesso ao mercado de etanol. Diferentemente de ocasiões passadas, o alcance dessa medida é mais amplo, englobando não apenas setores específicos, mas também incluindo exceções significativas como carne bovina, café, energia e partes aeronáuticas, além de produtos que já estão sob a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que abrange certos fluxos de aço, alumínio, cobre e automotivo.
O processo de consulta pública está em andamento, com prazos definidos para que as partes interessadas se manifestem e para a possível adoção das novas tarifas até julho de 2026. Contudo, a mensagem transmitida é clara: o custo para entrar no mercado norte-americano pode aumentar consideravelmente.
Adicionalmente, o governo dos EUA está investigando diversos países que não restringem a importação de produtos supostamente fabricados com trabalho forçado, podendo impor uma tarifa adicional de 10% ou 12,5%. Caso essa investigação atinja também as importações do Brasil, o cenário mais adverso poderia resultar em um acúmulo das tarifas, totalizando 37,5% (25% + 12,5%).
Essa situação levanta uma questão crucial: estamos diante de um novo padrão de volatilidade, onde a exposição comercial brasileira aos Estados Unidos deixa de ser um evento isolado, refletindo um novo “baseline” operacional? Se essa hipótese se confirmar, a capacidade de reagir a choques tarifários inesperados que afetam contratos em vigor e reduzem as margens de lucro torna-se insustentável.
O contexto atual exige uma reflexão estratégica urgente. As tentativas de mitigar tarifas podem ter efeitos adversos em outras áreas, como o aumento da carga tributária efetiva, a alteração dos fluxos de caixa ou a influência em indicadores como EBITDA. Assim, enquanto uma reação logística ou comercial pode melhorar a tarifa, pode acabar prejudicando a ETR, e vice-versa. Isso implica que a otimização deve deixar de ser uma abordagem local, exigindo uma visão internacional integrada e multidisciplinar.
Com informações jota.info