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Escândalo da Ebal revela conexões políticas no PT e suas consequências

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Em abril de 2018, ocorreu a venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), uma estatal criada em 1979 pelo governo da Bahia, cujo objetivo era regular o mercado de alimentos e garantir o fornecimento de produtos básicos a preços acessíveis para a população de baixa renda. O negócio foi fechado por R$ 15 milhões, após várias tentativas de leilão que não atraíram compradores, já que o lance inicial era de R$ 81 milhões, e o único interessado foi um grupo privado que incluía a rede de supermercados Cesta do Povo, que acumulava dívidas que somavam R$ 381 milhões.

Para viabilizar a venda, o governo da Bahia decidiu reduzir o preço e incluir no pacote o Credcesta, um cartão de benefícios consignados destinado a servidores públicos, tanto ativos quanto aposentados. Este cartão funcionava como um intermediário entre um cartão de crédito tradicional e um empréstimo, permitindo que os usuários obtivessem crédito com desconto direto na folha de pagamento. Essa estratégia abriu as portas para que os novos proprietários, liderados pelo consórcio paulista NGV Empreendimentos e Participações, entrassem em um mercado promissor.

À frente do consórcio estava o investidor Augusto Lima, que, anos depois, se associou ao Banco Master, onde atuou como CEO. Em 2025, ele transitou para o banco Pleno, que se tornou um dos alvos das investigações que envolvem Daniel Vorcaro, seu ex-sócio. Durante o período da venda da Ebal, o secretário de governo da Bahia pouco sabia sobre as implicações futuras, especialmente considerando que o banco, que prosperou ao oferecer crédito a aposentados, transferiu R$ 12 milhões para uma empresa ligada a Bonnie Bonilha, cuja relação familiar com Jaques Wagner, ex-ministro e idealizador da venda, gera questionamentos.

Atualmente, Wagner é o líder do governo Lula no Senado e se tornou alvo da Polícia Federal em uma operação que investiga os desdobramentos de um esquema que envolve Flávio Bolsonaro (PL), que teria solicitado recursos para financiar um filme sobre seu pai. As investigações também atingem Rui Costa, que era o governador da Bahia durante a venda da Ebal e agora é ministro da Casa Civil. A relação entre os envolvidos no esquema se torna ainda mais complexa à medida que se descobre que o financiamento de campanhas políticas se estendeu tanto para a extrema-direita quanto para o centrão, refletindo um cenário onde figuras como Ciro Nogueira, Hugo Motta e Davi Alcolumbre podem ter sido beneficiados.

Com a proximidade de novas eleições, a dificuldade em expor as conexões e os interesses envolvidos no caso se torna evidente. O desdobramento da Operação Compliance Zero traz à tona uma situação delicada para o PT, que agora enfrenta um desafio significativo para limpar sua imagem diante das acusações que emergem desde a Bahia. A mancha deixada por esse escândalo poderá ser difícil de remover, especialmente em um ambiente eleitoral conturbado como o atual.

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