Na noite de segunda-feira (29), os comentaristas José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit abordaram em O Grande Debate, transmitido às 23h, a questão da abstenção nas eleições presidenciais de 2026. Uma pesquisa realizada pela Nexus/BTG, divulgada na mesma data, alerta que a falta de comparecimento às urnas pode influenciar decisivamente o resultado do pleito. O estudo indica que os eleitores que apoiam Lula tendem a comparecer menos do que aqueles que votam em Flávio Bolsonaro, o que pode afetar a vantagem do atual presidente nas simulações de segundo turno.
Na análise das intenções de voto para o segundo turno, Lula lidera com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro. Entretanto, ao filtrar apenas os eleitores que participaram das últimas duas eleições, a diferença diminui, resultando em um empate técnico, com ambos os candidatos alcançando 46%.
Cardozo enfatizou que a abstenção não deve ser encarada apenas como uma tática eleitoral, mas sim como um sinal de desinteresse pelo sistema democrático. Ele destacou que um nível elevado de abstenção é um indicativo de um certo descompromisso com a política e sugere que isso pode ser um sintoma de uma crise democrática. Para ele, é fundamental que partidos, candidatos e o Tribunal Eleitoral promovam campanhas para incentivar a participação dos eleitores, considerando isso um dever cívico e uma necessidade estratégica para Lula.
Além disso, Cardozo observou que a polarização política pode, de maneira paradoxal, ajudar a diminuir a abstenção. Ele argumentou que, em um ambiente de polarização, onde cada voto conta, as pessoas tendem a se mobilizar mais.
Vinicius Poit também concordou que a abstenção pode ser um fator decisivo nas eleições e apontou que os dados da pesquisa representam um desafio significativo para Lula. Ele destacou que os eleitores de Flávio têm mostrado maior engajamento nas últimas eleições, o que representa uma barreira adicional para a mobilização da base petista.
Poit levantou ainda a discussão sobre a natureza do voto obrigatório no Brasil, mencionando que a multa de R$ 3,51 para quem não vota e não justifica a ausência torna o sistema quase facultativo. Ele sugeriu que o Brasil deveria considerar transformar o voto em facultativo de fato ou aumentar as penalidades por não comparecimento.