A partir de julho de 2026, os frigoríficos brasileiros atingiram a cota de exportação de carne bovina para a China, que foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Esse volume desencadeou a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre as quantidades excedentes. Ao somar essa taxa à tarifa fixa de importação de 12%, a tributação total sobre a carne bovina chega a 67%.
A China se destaca como o principal importador da carne bovina de Mato Grosso do Sul. Com a implementação da sobretaxa, há expectativas de que a competitividade do produto brasileiro diminua, levando frigoríficos a redirecionar parte de sua produção para outros mercados e para o consumo interno.
Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, alerta que os efeitos dessa nova medida afetarão toda a cadeia produtiva. Ele enfatiza que a pecuária de corte exige um planejamento de longo prazo, uma vez que o gado atualmente abatido foi produzido há três ou quatro anos, antes da definição da cota pela China.
Para enfrentar essa situação, os produtores têm como principal alternativa ajustar o manejo dos animais durante o período de queda nas compras por parte da China. No entanto, os impactos sobre o setor são considerados inevitáveis. Thiago destaca que indústrias maiores e mais dependentes do mercado chinês podem ter que implementar férias coletivas.
Mato Grosso do Sul tem um papel significativo nas exportações para a China e, por isso, deve sentir os efeitos dessa redução nas vendas. A intensidade desses impactos dependerá da capacidade dos frigoríficos em explorar novos mercados e aumentar suas vendas no mercado interno. A estratégia adotada pela indústria será crucial para mitigar os danos.
Embora a queda nos preços possa ser perceptível, o pesquisador menciona que a velocidade e a intensidade dessa redução não devem ser tão acentuadas quanto as oscilações observadas no mercado externo. Há um tempo necessário para que a transferência de preços ocorra.
Com informações midiamax.com.br