Na manhã desta terça-feira (25), a Casa da Mulher Brasileira recebeu o evento intitulado "Depois do Lilás, a luta continua", que teve como objetivo reforçar a importância do combate à violência contra a mulher. A ação, que faz parte da programação do Agosto Lilás, contou com a participação de representantes da rede de proteção, convidados e parceiros, destacando que a luta deve se estender ao longo de todo o ano, e não apenas em datas específicas.
O encontro também celebrou os 20 anos da Lei Maria da Penha, apresentando novas iniciativas de prevenção, acolhimento e promoção da autonomia das mulheres. Durante o mês de agosto, diversas atividades foram realizadas, incluindo palestras, campanhas educativas e cursos de capacitação, todos voltados para facilitar o acesso das mulheres às políticas públicas.
Angélica Fontanari, secretária executiva da Mulher, enfatizou que, apesar dos avanços, o trabalho precisa ser contínuo. Ela destacou a importância da participação de todos no enfrentamento da violência, ressaltando que "os homens precisam ser os primeiros a repreender atitudes de violência e também ter coragem de denunciar". Angélica também comentou sobre a redução dos feminicídios na cidade, apresentando dados que mostram a diminuição de casos: em 2024, foram 11 mortes, em 2025, 7, e neste ano, até o final de agosto, 4 mulheres foram vítimas.
O evento também trouxe novidades, como a criação do Observatório Municipal da Mulher, que terá a função de coletar dados para orientar políticas públicas voltadas para o combate à violência e a promoção dos direitos das mulheres. Outra importante iniciativa anunciada foi a implantação do atendimento com intérprete de língua indígena na Casa da Mulher Brasileira, visando ampliar a acessibilidade para mulheres indígenas.
Dalva Oliveira, intérprete da língua terena, ressaltou a relevância desse atendimento, que permitirá que mais mulheres tenham a possibilidade de denunciar situações de violência e receber o suporte necessário. A Casa da Mulher Brasileira, que opera 24 horas por dia, oferece uma rede integrada de serviços para acolhimento e proteção das mulheres.
Uma instalação no local, composta por sapatos com mensagens, representou mulheres que perderam suas vidas para o feminicídio, trazendo uma reflexão sobre as histórias por trás de cada número. Além disso, a programação contou com apresentações da dupla William e Ruan, que interpretou a música "Borra o Batom Mas Não a Pele", uma composição que busca conscientizar sobre a violência contra a mulher.