A inclusão do nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no relatório da Polícia Federal que investiga Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, suscitou um debate sobre a necessidade de Gonet se declarar impedido de atuar no caso. O relatório contém sete menções ao procurador, sendo que a primeira referência ocorreu em uma conversa entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, datada de 2024, na qual Soares afirmou que havia solicitado a Gonet que convencesse alguém a desistir de uma candidatura.
No mês de março de 2025, Soares enviou uma foto ao lado de Gonet a Vorcaro, mencionando que o procurador gostaria de falar com ele. O advogado também encaminhou mensagens que atribuiu a Gonet, onde este mencionava estar com saudades e que estaria embarcando para Roma. Em outro momento, Soares comentou que Gonet havia perguntado se seu filho poderia acompanhá-los em uma viagem a Londres, ao que Vorcaro respondeu afirmativamente. Além disso, em junho, Soares confirmou que Gonet havia aprovado a viagem para Londres e perguntou se o filho do procurador poderia ir junto.
As mensagens indicam que Gonet e Vorcaro podem ter viajado juntos, mas, apesar da menção ao seu nome no relatório, o procurador não fez declarações específicas sobre a citação, não negando o conhecimento de Vorcaro ou a realização de viagens com ele.
Na sua manifestação no processo, Gonet argumentou que o ministro André Mendonça, relator do caso, não deveria ter requisitado o relatório da Polícia Federal, pois a investigação que envolve outro ministro deveria ser conduzida pelo Ministério Público, com a decisão sobre a investigação a cargo do plenário do Supremo Tribunal Federal.
Os especialistas em Direito Penal que analisaram a situação afirmam que, dada a citação de seu nome, Gonet deveria se afastar do caso. Essa recomendação se mantém mesmo na ausência de indícios que o vinculem a atividades ilícitas e sem que ele esteja formalmente sendo investigado. O Código de Processo Penal, em seu artigo 258, estabelece normas que visam garantir a legitimidade do sistema judiciário.
De acordo com Antônio Gonçalves, é fundamental respeitar o devido processo legal e assegurar que as ações sejam conduzidas de maneira transparente e pública, ressaltando que as instituições devem prevalecer sobre os indivíduos. A forma como o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro também foi criticada, já que a decisão foi tomada em uma reunião fechada, sem que houvesse uma arguição de suspeição, mantendo a validade dos atos que ele tomou até então.
Com informações jota.info