No Brasil, a Constituição estabelece o voto como uma obrigação para a maioria dos cidadãos. Contudo, há exceções que permitem a grupos específicos a liberdade de decidir se comparecem ou não às urnas. Jovens com 16 e 17 anos, além de pessoas analfabetas ou com mais de 70 anos, têm o direito ao voto facultativo. Para alguns, essa flexibilização representa um marco no início de sua vida política, enquanto para outros, é uma forma de exercer um direito por convicção e não por imposição.
José da Silva, um aposentado de 72 anos e residente em Valparaíso de Goiás (GO), é um exemplo desse novo cenário. Após anos de obrigatoriedade, ele agora faz parte do grupo que pode escolher se vota ou não. José afirma que continuará a participar do processo eleitoral, desde que identifique candidatos comprometidos com o desenvolvimento do país.
— Agora obtive o direito de decidir se voto ou não. Essa decisão vai depender dos candidatos que pretendem me representar — declara José Silva, que sempre enxergou a obrigatoriedade do voto como uma contradição. Para ele, o exercício de um direito deve ser uma escolha livre.
A poucos quilômetros de distância, em Brasília, Martina Matteo Ferreira, de 16 anos, optou por emitir seu primeiro título de eleitor, mesmo sabendo que não é uma obrigação legal. Com a eleição marcada para 4 de outubro, ela reconhece que este é um momento oportuno para se informar e formar suas opiniões sobre os candidatos.
— Vi que era um privilégio poder exercer esse direito. É o momento de refletir sobre as pautas que nos são colocadas, mas também de cobrar atenção às políticas públicas voltadas para nós, jovens e adolescentes — explica Martina.
Ela admite que, inicialmente, sentiu receio da responsabilidade de escolher seus representantes, mas agora acredita que tem tempo para pesquisar e fazer suas escolhas de maneira informada.