A análise da situação do Supremo Tribunal Federal (STF) não se restringe ao mérito jurídico, que deve ser abordado por advogados. O foco aqui reside na forma como a Corte se comunica em um momento de crise sem precedentes. A partir da perspectiva de um especialista em gestão de crise reputacional, as evidências apontam para uma situação preocupante.
É importante distinguir entre reputação e imagem. Enquanto a imagem se refere a percepções instantâneas, como uma foto ou um post, a reputação é um conceito mais profundo e duradouro, moldado ao longo do tempo e afetado por cada crise e decisão. Uma opinião pode mudar rapidamente, mas a reputação se altera de forma mais gradual.
Um tribunal supremo é antes de tudo uma entidade de poder cuja autoridade não se impõe por força militar ou policial. O cumprimento de suas decisões é sustentado pela crença pública na imparcialidade e na legitimidade dos julgamentos. Quando essa crença se fragmenta, a legitimidade da função judicial é questionada.
A distinção entre um problema e uma crise é crucial. Um tribunal, por sua natureza colegiada, não deve operar sob um comando único. A independência de cada ministro em se manifestar publicamente é uma garantia constitucional, e a morosidade dos processos, embora frustrante para alguns, é um custo necessário para decisões justas e ponderadas.
O que pode parecer falta de liderança é, na verdade, o funcionamento normal de uma instituição que delibera coletivamente, mesmo que isso resulte em um alto custo reputacional, conforme a percepção de quem analisa a situação. Uma lição clara emerge: quando várias vozes tentam liderar uma crise simultaneamente, a reputação da instituição como um todo é a que realmente sofre.
Antes de entrar em discussões sobre quem está certo, talvez o STF devesse refletir sobre a questão fundamental: quem é o narrador da sua história?
Com informações jota.info