Uma pesquisa realizada pela Atlas/Bloomberg, divulgada em 23 de setembro, reforça a expectativa de que o presidente Lula (PT) tome uma posição contundente em relação às plataformas de apostas. Os dados revelam que 75% dos entrevistados são favoráveis à proibição das bets, enquanto apenas 17% se opõem à medida. Além disso, 79% dos brasileiros apoiam limites na publicidade e 84% defendem uma maior tributação para o setor. A pesquisa foi realizada com 5.015 pessoas entre os dias 17 e 22 de setembro, apresentando uma margem de erro de um ponto percentual.
Após sua viagem a Nova York, Lula retorna a Brasília com a questão das apostas em pauta, pronta para uma decisão. José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, confirmou que uma medida provisória está sendo preparada e que haverá uma nova discussão interna sobre o assunto. Uma reunião no Palácio do Planalto ou no Alvorada pode ser realizada nesta quarta-feira para definir os próximos passos do governo. Embora a reunião não esteja confirmada, a expectativa é que os principais envolvidos se reúnam com o presidente ainda hoje.
Os resultados da pesquisa, que revelam que três quartos da população brasileira é favorável à proibição das apostas, aumentam a pressão política sobre o governo para que a medida corresponda ao discurso defendido por Lula. O presidente tende a apoiar uma proibição total, enquanto Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação do governo, argumenta que essa abordagem deve ter um impacto significativo, dada a relevância do tema junto ao eleitorado.
Por outro lado, a equipe econômica liderada por Dario Durigan adverte que uma proibição total pode levar apostadores a buscar o mercado ilegal, tornando a fiscalização e controle mais desafiadores. No entanto, o ministro da Fazenda também defende que as regras devem ser endurecidas. Entre as propostas em discussão estão a proibição de cassinos online, restrições na publicidade e mudanças nos aplicativos que poderiam limitar os mecanismos que incentivam apostas repetidas.
O impacto dessa questão é especialmente significativo entre as mulheres. Um levantamento anterior, do estudo Mulheres & Bets, indica que 62% delas se opõem às apostas, o que permite ao governo dialogar com um eleitorado feminino que já demonstra resistência a esse tipo de atividade, sem ignorar a realidade de milhões de homens e suas famílias afetadas pelo problema.
A pesquisa da Atlas/Bloomberg transforma o contexto em favor de uma iniciativa visível, uma vez que a rejeição às apostas transcende as divisões eleitorais comuns. O tema oferece a Lula a oportunidade de deslocar parte de sua campanha para discutir questões como renda, endividamento familiar e saúde mental, que são essenciais para melhorar a percepção econômica. O assunto já figura nas campanhas eleitorais e foi abordado pelo presidente em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.
Com informações jota.info