Políticos de ultradireita na Europa e nos Estados Unidos estão usando os protestos violentos que abalaram França e Itália para atribuir a crise à imigração e se apresentar como guardiões da lei e da ordem. A movimentação ocorre a poucos meses de eleições importantes Na França, Na Itália e na Espanha, onde partidos radicais buscam ganhar impulso eleitoral.
Na França, manifestações inicialmente pacíficas contra o alto custo de vida e a falta de recursos para escolas terminaram em confronto com a polícia no fim de semana passado. Cerca de 2.500 pessoas foram detidas, das quais 174 permanecem presas. Em Milão, no sábado, manifestantes violentos entraram em choque com as forças de segurança, saquearam lojas e incendiaram imóveis. Não há, segundo as autoridades, qualquer vínculo entre a imigração e a violência, que teria sido motivada principalmente pela alta do custo de vida decorrente da guerra no Irã, iniciada em fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel.
A Comissão Europeia estima que o conflito custou à Europa cerca de 100 bilhões de euros (R$ 564 bilhões) em impactos sobre o comércio e os mercados de energia. Os preços do gás subiram aproximadamente 140%, e os do diesel dobraram. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em um comício que a França foi "conquistada, saqueada e reduzida às cinzas por migrantes, jihadistas e comunistas" e alertou que, se a Europa não fechar suas fronteiras, estará "acabada".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também em campanha, disse que a França cedeu à "invasão do islamismo extremista". O líder do Vox, Santiago Abascal, usou a migração para atacar o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, enquanto Em Portugal o deputado André Ventura culpou imigrantes pela crise habitacional. Na Alemanha, Alice Weidel, da AfD, atribuiu os distúrbios a um "ataque de uma horda de migrantes e agitadores da extrema esquerda". Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni prometeu firmeza e informou que 330 pessoas foram detidas, metade de origem estrangeira.
A candidata presidencial francesa Marine Le Pen apresentou-se como a líder da lei e da ordem e acusou o governo de Emmanuel Macron de não ter controle da situação. Macron criticou líderes estrangeiros que, segundo ele, tentam explorar a crise para obter vantagens políticas, citando comentários "inaceitáveis e estúpidos" e uma suposta manipulação de informação. Ele reconheceu as reivindicações legítimas dos manifestantes, mas condenou os atos de violência e saques.