As negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Yaoundé, Camarões, terminaram sem qualquer acordo sobre um plano de reforma ou sobre a extensão da moratória sobre o comércio eletrônico. A reunião, que durou quatro dias, viu o Brasil bloquear uma proposta dos Estados Unidos e de outros países para prolongar a moratória sobre taxas alfandegárias para transmissões eletrônicas, como downloads digitais e streaming.
O secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, Andrew Wilson, comentou que essa situação representa mais uma rachadura nos fundamentos da OMC. Ele pediu aos delegados que renovem a moratória antes que novos impostos sejam impostos aos serviços digitais. As expectativas de progresso eram baixas, mas havia esperanças de que a moratória, renovada desde 1998, fosse estendida.
No entanto, os ministros do comércio não conseguiram chegar a um consenso sobre a extensão, o que resultou em frustração por parte de autoridades norte-americanas e de grupos empresariais. O secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, classificou o fracasso em chegar a um acordo como um grande retrocesso para o comércio global.
As negociações são vistas como um teste para a relevância da OMC em um cenário de turbulências comerciais e interrupções recentes. Apesar do impasse, 66 membros concordaram em avançar com o primeiro acordo global sobre regras de comércio digital. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, expressou esperança de que a moratória pudesse ser restaurada e que Brasil e EUA chegassem a um acordo.