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Campanha de Lula aposta no digital após desvantagem no primeiro turno

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A disputa pela presidência da República neste ano terminou o primeiro turno sem favorito definido, nem mesmo após o debate promovido pela TV Globo na noite de sexta-feira. A campanha do senador Flávio Bolsonaro priorizou as ferramentas digitais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu a recursos considerados mais analógicos na abordagem ao eleitor, segundo a análise.

Flávio Bolsonaro apoiou-se nas redes porque, sem passagem pelo Executivo e com a candidatura lançada menos de um ano antes da eleição, tinha no sobrenome o principal recurso para se aproximar do eleitor. A campanha do PL captou a insatisfação com os preços dos alimentos, as taxas de juros reais mais indecorosas do mundo, o medo da criminalidade e a lentidão no combate à violência, traduzindo esses temas em linguagem simples e direta que uniu multidões.

No caso de Lula, os recursos digitais não eram tão vitais. O presidente parecia acreditar que o passado ancorado em suas passagens pelo Planalto e o medo do bolsonarismo seriam trunfo suficiente para liquidar a fatura no primeiro turno, além da legião de apoiadores que atuou como linha de frente das vitórias do PT em cinco das seis eleições presidenciais realizadas no Século 21. A realidade, porém, mostrou que o currículo não bastava: com mais de 2 milhões de votos de desvantagem em relação ao adversário, a campanha petista acordou para a necessidade de recorrer aos meios digitais e criar uma estrutura capaz de levar o nome de Lula ao eleitorado mais jovem.

O nome que primeiro alimentou as esperanças da esquerda após a divulgação dos resultados foi o da jovem Ana Elisa, de 21 anos, recém-eleita deputada federal pelo PT de Minas Gerais, que obteve mais de meio milhão de votos. No entanto, uma consulta ao histórico de suas postagens revelou um comportamento sectário, agressivo e defensor de métodos violentos para lidar com os adversários, incompatível com a necessidade de conquistar eleitores de centro e de direita. Além disso, acima dela na preferência dos eleitores mineiros estava o deputado Nikolas Ferreira (PL/MG), que com mais de 3,1 milhões de votos se firmaria como um dos nomes centrais da campanha de Flávio Bolsonaro e usaria sua atração sobre os jovens para arrastar multidões em apoio ao senador.

Descartada a conveniência de fazer de Ana Elisa a líder da estratégia digital, o comando petista confiou a responsabilidade ao estridente deputado André Janones (Rede/MG), que fez barulho demais para o pouco resultado obtido com o Exército do Lula. Ainda que tenha reunido milhões de adeptos sob o comando do General do Lula, como o próprio Janones passou a se intitular, é difícil dizer que a estratégia tenha sido eficaz em virar votos em favor do presidente. A lição que fica é a de que Lula confiou demais em conquistas do passado para lidar com uma geração que demonstra preocupações com o futuro.

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