O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mudando sua estratégia em relação à discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O governo pretende dar protagonismo às centrais sindicais e entidades patronais nas negociações, afastando temporariamente o tema do centro das disputas legislativas.
Essa medida reflete uma estratégia política do governo, considerando o ano eleitoral para os Legislativos federal e estaduais. O Planalto busca construir um consenso programático por meio do chamado "diálogo social tripartite", que envolve governo, trabalhadores e empregadores, evitando desgastes diretos na imagem presidencial.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a redução da jornada sem diminuição salarial ganhou apoio nas redes sociais e entre movimentos trabalhistas. No entanto, enfrenta resistência de setores do comércio e da indústria, que apontam possíveis impactos na produtividade e nos custos operacionais.
Lula busca também restaurar a relação com o movimento trabalhista, que perdeu força política nos últimos anos. A ideia é que as centrais sindicais liderem as mesas de negociação, apresentando propostas que podem ser transformadas em texto legal. Entretanto, especialistas alertam para os desafios do modelo de negociação coletiva no Brasil e a possibilidade de que o debate se prolongue após as eleições, adiando conquistas populares.