A situação entre Irã e Estados Unidos continua a ser marcada por incertezas, especialmente com o término iminente do cessar-fogo de duas semanas. Uma autoridade sênior iraniana anunciou que o Irã está considerando participar de negociações de paz em Islamabad, Paquistão, impulsionado por esforços do governo paquistanês para eliminar o bloqueio dos EUA aos portos iranianos. Contudo, a decisão final ainda não foi tomada.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, expressou preocupações durante uma conversa telefônica com o colega paquistanês Ishaq Dar, afirmando que as constantes violações do cessar-fogo por parte dos EUA representam um grande obstáculo para o avanço das negociações. Araqchi destacou que o Irã está avaliando a situação de maneira abrangente antes de definir os próximos passos.
Na mesma linha, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de intensificar a pressão sobre o Irã por meio do bloqueio e das violações do cessar-fogo, afirmando que a nação persa não aceitará negociações sob ameaças. O cessar-fogo, que foi estabelecido em resposta a um conflito que causou milhares de mortes e abalou a economia global, especialmente os mercados de energia, está previsto para expirar nesta semana.
As tensões se agravam com a informação de que os EUA apreenderam um navio de carga iraniano que tentava escapar do bloqueio, o que levou Teerã a prometer uma retaliação. Para Trump, o objetivo das negociações em Islamabad é evitar um novo aumento nos preços do petróleo e uma queda nos mercados de ações. O Irã, por sua vez, pretende usar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, uma rota crítica para o fornecimento global de energia, como alavanca para alcançar um acordo que impeça a retomada do conflito e possibilite a redução de sanções financeiras.
Adicionalmente, uma fonte informou que o vice-presidente JD Vance permaneceu nos Estados Unidos, desmentindo rumores sobre sua presença em Islamabad, o que aumenta a incerteza sobre a realização das negociações. Enquanto isso, o presidente Trump reiterou suas ameaças, afirmando que os EUA destruiriam toda a infraestrutura civil do Irã caso o país não aceitasse suas condições, um padrão que tem se tornado recorrente nas declarações do mandatário.
Em resposta, o Irã avisou que, se sofrer um ataque a sua infraestrutura civil, retaliará atacando instalações de energia e usinas de dessalinização de seus vizinhos no Golfo Árabe. O Paquistão, por sua vez, mobilizou cerca de 20.000 agentes de segurança em preparação para as negociações, que, embora ainda incertas, são vistas como cruciais para a estabilidade da região.