Um email interno do Pentágono, datado de 24 de abril, revela que os Estados Unidos estão considerando medidas punitivas contra aliados da Otan que não forneceram apoio nas operações militares contra o Irã. Entre as opções discutidas está a suspensão da Espanha da aliança, além de uma revisão da postura americana em relação à reivindicação britânica das Ilhas Malvinas.
A nota expressa descontentamento com a falta de colaboração de alguns países, que não concederam aos EUA direitos de acesso, base e sobrevoo, conhecidos como ABO, fundamentais para a condução da guerra. A frustração foi relatada por uma autoridade que preferiu manter o anonimato ao descrever o conteúdo do email, que circulou em altos níveis do Departamento de Guerra.
O documento sugere que, além da Espanha, outros países podem ser considerados "difíceis" e, portanto, ter seus cargos de prestígio na Otan revistos. Contudo, uma autoridade da aliança destacou que o Tratado de Fundação da Otan não prevê a suspensão de filiação para qualquer membro, incluindo a Espanha.
A situação se agrava com as críticas do presidente Donald Trump, que tem apontado a falta de apoio dos aliados para ações no Estreito de Ormuz, fechado desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro. Trump, em declarações recentes, indicou estar considerando a possibilidade de uma retirada dos EUA da Otan, embora o Email do Pentágono não mencione tal medida ou o fechamento de bases na Europa.
A secretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, foi questionada sobre o email e reforçou que as opções propostas não incluem a retirada das forças americanas na Europa, embora a fonte tenha se negado a comentar sobre uma possível redução das tropas. A tensão entre os EUA e seus aliados também é evidenciada pela posição do Reino Unido, que inicialmente hesitou em permitir que suas bases fossem usadas para ataques ao Irã, mas acabou concordando em missões defensivas.
A disputa em torno das Ilhas Malvinas, administradas pelo Reino Unido, mas reivindicadas pela Argentina, remonta a um conflito em 1982, que resultou na morte de cerca de 650 soldados argentinos e 255 britânicos. A relação entre Trump e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também é tensa, com Trump o criticando por não demonstrar a mesma determinação de líderes históricos como Winston Churchill em apoiar os EUA na guerra contra o Irã.