O Banco Mundial prevê um aumento de 24% nos preços da energia em 2026, o que representaria o nível mais elevado desde a invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia, que ocorreu há quatro anos. Essa elevação nos preços está atrelada a possíveis interrupções mais severas causadas pela guerra no Oriente Médio, que podem ter seu auge em maio. A projeção foi divulgada na última terça-feira em um relatório sobre as Perspectivas para o Mercado de Commodities.
O relatório indica que os preços das commodities poderão se elevar ainda mais caso as hostilidades na região se intensifiquem e as interrupções no fornecimento se prolonguem além do esperado. O cenário de referência do Banco Mundial sugere que os volumes de transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global, devem retornar gradualmente aos níveis anteriores à guerra até outubro. Contudo, os riscos apontam para uma tendência de alta nos preços.
Além do aumento nos custos da energia, o Banco Mundial projetou uma alta de 16% nos preços gerais das commodities em 2026, impulsionada pelo aumento dos preços de energia e fertilizantes, bem como pelos recordes em diversos metais. Neste contexto, os preços do petróleo continuaram a subir, especialmente após a interrupção dos esforços para encerrar a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou na quase total paralisação do Estreito de Ormuz, essencial para o fornecimento de energia e fertilizantes.
As interrupções na infraestrutura de energia e no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, que antes da guerra era responsável por 35% do comércio global de petróleo bruto, desencadearam o maior choque de fornecimento de petróleo já registrado. Essa situação impacta diretamente na produção de fertilizantes, que são essenciais para a agricultura, e poderá exacerbar a insegurança alimentar global. O Programa Mundial de Alimentos estima que 45 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda se a guerra se prolongar.
O Banco Mundial também projetou que a inflação nas economias em desenvolvimento deve atingir uma média de 5,1% em 2026, um aumento em relação aos 4,7% registrados no ano anterior. Caso a guerra persista, a inflação pode alcançar 5,8%. Além disso, as previsões de crescimento econômico para essas economias foram reduzidas, com uma expectativa de crescimento de apenas 3,6% em 2026, abaixo da projeção de 4% feita antes do início do conflito.