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A escassez de técnicos negros no futebol brasileiro: um retrato do racismo estrutural

Jair Ventura em ação no Ba-Vi — Foto: Jair Ventura em ação no Ba-Vi (Foto: Victo

O cenário do futebol brasileiro revela uma alarmante disparidade racial entre os técnicos da Série A. Atualmente, apenas Jair Ventura, que comanda o Vitória, é negro, ocupando uma posição em um universo onde pretos e pardos representam 56% da população, segundo dados do IBGE. Até recentemente, Roger Machado também fazia parte desse grupo, mas foi demitido do São Paulo em 13 de maio após a eliminação na Copa do Brasil.

A passagem de Roger pelo Morumbi durou apenas dois meses, durante os quais ele alcançou um aproveitamento de 57% nos primeiros 11 jogos. Apesar do início promissor, o descontentamento da torcida com a diretoria, em função da saída do argentino Hernán Crespo, pesou contra ele. Questionado antes mesmo de estrear e criticado ao longo de sua breve trajetória, foi rapidamente dispensado após uma derrota para o Juventude.

Esse tipo de situação não é isolada, mas uma realidade comum para técnicos negros no futebol brasileiro. A reportagem consultou seis treinadores da cor negra para discutir o racismo que permeia suas funções. Entre esses, Orlando Ribeiro, que dirigiu o Santos em 2022, foi o único a se pronunciar. Ele destacou que, enquanto todo trabalho enfrenta oscilações, a paciência é escassa para os treinadores negros, que deveriam ter mais condições de exercer suas funções.

Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, complementou a análise, afirmando que o futebol brasileiro ainda não aceita plenamente os negros e as negras, apenas os tolera. No contexto da liderança técnica, essa percepção se mantém, com a paciência reduzida e um entendimento quase nulo sobre a capacidade intelectual desses profissionais. O questionamento sobre a ausência de negros em posições de destaque continua sem resposta clara.

Os dados nos últimos dez anos são alarmantes, com apenas 10% dos técnicos do Campeonato Brasileiro sendo negros. Isso reflete um racismo estrutural que se perpetua, resultando em um ambiente onde a diversidade ainda é uma exceção, não a regra. Essa situação exige uma reflexão profunda sobre as práticas e políticas dentro do futebol, visando um futuro mais inclusivo e igualitário.

Por meio dessa análise, fica evidente a necessidade de mudança no cenário esportivo brasileiro, onde a presença de técnicos negros deve ser não apenas uma estatística, mas uma realidade reconhecida e valorizada, em consonância com a composição racial da população brasileira.

Com informações otempo.com.br

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