O Estreito de Ormuz, importante ponto de passagem para o transporte de petróleo, enfrenta um novo desafio com a acumulação de cracas, mexilhões, amêijoas e algas em petroleiros. Derek Hamm, da Obsessive Compulsive Divers, observou que quatro meses de inatividade são suficientes para que esses organismos se fixem nas embarcações.
A bioincrustação, que se refere à vida marinha que se adere a cascos de navios, representa um problema significativo. Os petroleiros ancorados no Golfo Pérsico não podem prosseguir até que essa sujeira seja removida, o que complica ainda mais a recuperação do abastecimento de petróleo global, já afetado pela guerra na região.
As embarcações em questão possuem mais de 1.000 pés de comprimento e cerca de 150 pés de largura, totalizando aproximadamente 150.000 pés quadrados de fundo para ser limpo. Para isso, equipes de mergulhadores, com cerca de cinco a seis profissionais, precisarão dedicar entre quatro a cinco horas para retirar a bioincrustação utilizando raspadores manuais e lavadoras de alta pressão.
Com cerca de 600 navios ancorados à espera de autorização para atravessar o estreito, o volume de trabalho é considerável. Brian McCauley, proprietário da McCauley Mooring and Diving, ressaltou que, embora o trabalho em si não seja complicado, o tamanho das embarcações torna a tarefa desafiadora para mergulhadores individuais.
Navios que desejam evitar riscos podem solicitar o auxílio de rebocadores para serem retirados do estreito antes da limpeza. No entanto, a remoção da incrustação biológica é uma etapa obrigatória antes que possam continuar suas rotas. Esse processo é apenas uma parte de uma série de etapas necessárias para que as embarcações possam transportar grandes volumes de petróleo novamente.
Adicionalmente, o Irã anunciou a obrigatoriedade de registro para empresas que desejam atravessar o estreito, além de exigir que navios caça-minas realizem varreduras para eliminar riscos de explosões. A aprovação de financiadores e seguradoras também será necessária para que as embarcações possam partir, complicando ainda mais o cenário, já que o acordo de cessar-fogo na região continua instável.