O Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, traz à tona avanços e desafios da educação no Brasil. Em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais foi reduzida para 4,9%, marcando a primeira vez que esse indicador fica abaixo dos 5% desde 2016. Contudo, a realidade ainda é preocupante, pois 8,4 milhões de brasileiros não conseguem ler e escrever, conforme dados do IBGE.
A situação se agrava ao se considerar o analfabetismo funcional, que afeta 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos, segundo a edição mais recente do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), referente a 2024. Essas pessoas apresentam algum domínio de leitura e escrita, mas enfrentam dificuldades para interpretar e utilizar informações escritas, numéricas e digitais em situações cotidianas.
Késia Balena, professora do curso de Pedagogia e do Programa de Alfabetização e Letramento de Adultos da Estácio Brasília, comenta que os dados revelam que a alfabetização não pode ser avaliada apenas pela capacidade de ler ou escrever. “Saber ler e escrever não garante a compreensão do que se lê. Muitas pessoas conseguem decodificar palavras, mas ainda têm dificuldades em interpretar textos e entender informações, evidenciando a necessidade de melhorar a qualidade do processo educacional”, afirma.
A alfabetização, em um contexto de intensa circulação de informações e avanço da tecnologia, exige habilidades que vão além da simples leitura e escrita. A capacidade de avaliar criticamente o conteúdo recebido e identificar informações confiáveis se torna cada vez mais essencial. “Ser alfabetizado envolve saber interpretar, analisar e utilizar informações de forma crítica”, destaca a professora.
Para enfrentar essa realidade, é fundamental que as iniciativas de alfabetização se estendam além dos primeiros anos escolares, alcançando também jovens e adultos. “Trabalhar a leitura, interpretação e raciocínio deve ser um processo contínuo. Ampliar projetos de alfabetização para jovens e adultos e desenvolver atividades práticas são essenciais para que as pessoas consigam aplicar o conhecimento em suas vidas”, conclui Késia Balena.
O Dia Mundial da Alfabetização foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com o intuito de ressaltar a importância da alfabetização para o desenvolvimento humano e social. O Brasil enfrenta o desafio de não apenas reduzir o número de analfabetos, mas também garantir que a alfabetização promova a compreensão, o pensamento crítico e a autonomia dos indivíduos.