A Câmara dos Deputados do México aprovou em 26 de outubro uma emenda constitucional que possibilita a anulação de eleições caso sejam detectadas evidências de interferência estrangeira. A medida, aprovada com 307 votos favoráveis, 128 contrários e uma abstenção, levanta preocupações entre críticos sobre seu potencial para enfraquecer a integridade do processo eleitoral e facilitar tentativas de reverter resultados por parte dos candidatos derrotados.
A proposta altera um artigo da Constituição, definindo interferência estrangeira como "financiamento ilícito, propaganda, disseminação sistemática de desinformação, manipulação digital e intervenção de governos ou agências estrangeiras". A emenda também abrange atos de pressão política, econômica, diplomática ou midiática que visem influenciar a opinião pública.
A votação ocorre em um contexto de crescente inquietação dentro do partido governista, o Morena, que manifesta preocupações sobre a intervenção externa nos assuntos do país. Recentemente, Isabel Díaz Ayuso, uma figura política conservadora da Espanha, visitou o México e criticou a administração de Claudia Sheinbaum, comparando-a a regimes comunistas, como o de Cuba. Além disso, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito ameaças de interferência nas políticas mexicanas de combate ao narcotráfico.
A presidente Claudia Sheinbaum comentou sobre a aprovação da emenda durante uma coletiva de imprensa, mencionando a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições do México. Ela reconheceu que já houve casos de financiamento externo a candidatos e organizações locais e ressaltou a importância de proteger o país de qualquer forma de intromissão externa.
Parlamentares da oposição expressaram resistência à emenda, alegando que os partidos no poder poderiam utilizá-la como uma ferramenta para justificar ações políticas após perdas eleitorais. Ruben Moreira, deputado do partido opositor PRI, declarou que a rejeição à intervenção estrangeira é um ponto comum, mas alertou para a confusão entre os conceitos de intervenção e intromissão, que, segundo ele, são distintos.
Além da emenda sobre a interferência estrangeira, um segundo projeto de lei presidencial foi aprovado, que visa modificar a legislação eleitoral para impedir a candidatura de indivíduos com vínculos ao crime organizado.