O conflito no Oriente Médio que afeta diretamente Irã, Estados Unidos, Israel e Líbano completou oito semanas nesta sexta-feira (24), sem indícios claros de um desfecho próximo. Durante a semana, a prorrogação do cessar-fogo nas duas frentes de batalha, envolvendo os ataques entre o Irã e os confrontos entre Israel e Líbano, foi um dos principais acontecimentos.
Na terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão da trégua com o Irã até que novas propostas sejam apresentadas pelas autoridades iranianas. Essa decisão, no entanto, foi recebida com ceticismo em Teerã. O assessor do presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, qualificou o anúncio como uma “manobra para ganhar tempo”. Um vídeo gerado por inteligência artificial também ironizou a prorrogação do cessar-fogo.
Na quinta-feira (23), Trump estendeu a trégua entre Israel e Líbano, após uma reunião com representantes dos dois países na Casa Branca. Contudo, os ataques não cessaram por completo. Nesta semana, Israel interceptou mísseis iranianos direcionados a Tel Aviv enquanto realizava ataques a infraestruturas iranianas. Além disso, o país continuou a invadir áreas no sul do Líbano, levando o governo libanês a acusar Israel de crimes de guerra, especialmente após bombardeios que resultaram na morte de uma jornalista.
A extensão do cessar-fogo foi rotulada como “sem sentido” pelo Hezbollah, com o parlamentar Ali Fayyad, representante do grupo, expressando essa insatisfação. A possibilidade de um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos se tornou mais remota, com Trump afirmando que não há pressa para um fechamento de acordo, enquanto o Irã também declarou que seu regime permanece estável e sem urgência para um entendimento.
Entretanto, na sexta-feira (24), um novo desenvolvimento trouxe esperanças de um possível fim das hostilidades. A CNN reportou que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, serão enviados novamente ao Paquistão para conversações. Simultaneamente, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, também se dirigirá a esse país mediador para discutir o conflito.
Desde o início da guerra, o Líbano registrou mais de 50 mil residências danificadas ou destruídas, contabilizando ao menos 2.294 mortes. No Irã, o número de mortos ultrapassa 3.375. Estimativas de grupos independentes apontam que os EUA já gastaram entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões na guerra, o que representa cerca de US$ 1 bilhão por dia.