Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos levantaram a hipótese de que a maior parte da água existente no planeta Terra já pode ter passado pelo corpo de seres vivos na forma de urina. A discussão, que envolve a análise do ciclo da água, foi conduzida por Neil Donahue, da Universidade Carnegie Mellon, e David Kreamer, da Universidade de Nevada.
A água do planeta circula há milhões de anos, transitando por diversos ambientes, como rios, oceanos e seres vivos. A partir dessa premissa, Donahue buscou responder a uma curiosidade: a água que consumimos atualmente poderia ter sido ingerida por dinossauros ou outros animais pré-históricos? Ele conclui que a resposta mais plausível é sim.
Para calcular quanto tempo levaria para que toda a água da Terra se transformasse em urina, Donahue utilizou algumas suposições. Considerou que uma pessoa com peso médio de 50 quilos produz aproximadamente um litro de urina diariamente, o que representa cerca de um quilo. Além disso, fez uma estimativa hipotética de que todos os animais urinam cerca de 1% do seu peso.
Embora o cientista reconheça que esses cálculos não são exatos, eles ajudam a ter uma ideia do volume de água que passa pelos seres vivos ao longo do tempo. Com base nessas suposições, Donahue estimou que os cordados, que incluem mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, gerariam cerca de 0,02 gigatoneladas de urina diariamente, o que equivale a oito mil piscinas olímpicas.
Dividindo o peso total da água no planeta, estimado em cerca de 1,4 bilhão de gigatoneladas pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), pela quantidade de urina produzida diariamente, Donahue calculou que levaria aproximadamente 70 bilhões de dias, ou 191 milhões de anos, para que toda a água dos oceanos fosse convertida em urina. Considerando que os cordados surgiram há pelo menos 500 milhões de anos, há tempo suficiente para que toda a água da Terra tenha passado pela urina de algum ser vivo.
Apesar das estimativas, David Kreamer ressalta que não se pode afirmar com certeza que toda a água da Terra já passou por esse processo. Ele aponta que uma parte da água permanece em locais de difícil acesso, como geleiras e aquíferos, além da chamada água juvenil, que se encontra em grandes profundidades e não circulou pelos rios ou mares.