Um VÍDEO registrado em abril de 2024 trouxe à tona a confirmação de um fenômeno que pesquisadores da Espanha já suspeitavam. Nas imagens, uma cobra-ferradura é vista nadando nas águas que separam a costa leste de Ibiza do pequeno ilhéu de Santa Eulària, a aproximadamente 450 metros de distância, em busca de novos habitats e alimento.
Esse registro visual comprova que a espécie invasora, oriunda do continente espanhol, está se expandindo para novas ilhas do arquipélago das Baleares. Cientistas alertam que o avanço desse réptil é uma ameaça direta aos lagartos endêmicos de Ibiza, que enfrentam um sério declínio em suas populações.
O biólogo Oriol Lapiedra, do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (Creaf), mencionou que pescadores e turistas já tinham reportado avistamentos de cobras nadando entre as ilhas. Entretanto, até o momento, não havia evidências visuais que confirmassem esses relatos. O VÍDEO agora disponível intensifica as preocupações dos especialistas sobre a situação.
A cobra-ferradura (Hemorrhois hippocrepis), uma espécie não venenosa comum no sul e leste da Espanha, começou a aparecer em Ibiza há cerca de 20 anos. Sua introdução está ligada à importação de oliveiras centenárias do continente por proprietários de imóveis de luxo, que, ao trazer esses troncos oco, proporcionaram abrigo para as serpentes.
A presença crescente das cobras levou à extinção de populações de lagartos, resultando na perda de linhagens evolutivas que nunca poderão ser recuperadas. Em resposta a essa crise, foi criado em Barcelona um programa de reprodução em cativeiro conhecido como “Arca de Noé”, que visa preservar exemplares de oito populações distintas de lagartos. Embora os resultados iniciais sejam promissores, a rapidez da invasão das cobras acende um alerta sobre o futuro da espécie.
Curiosamente, as populações mais estáveis de lagartos em Ibiza se encontram atualmente em áreas urbanas, onde as cobras frequentemente são atropeladas ou eliminadas por moradores, aliviando um pouco a pressão sobre os pequenos répteis. Contudo, para os pesquisadores, a contínua extinção de lagartos representa uma tragédia ecológica e cultural. Cada espécie que desaparece significa a perda de uma narrativa evolutiva única, construída ao longo de milhares de anos. Lapiedra compara essa situação à destruição de um patrimônio histórico insubstituível, afirmando: “É como um incêndio em uma igreja antiga”.