Três pessoas ligadas a uma organização criminosa de origem peruana foram condenadas à prisão por crimes relacionados ao cárcere privado e violência contra a ex-companheira de um dos envolvidos. A decisão foi proferida na última sexta-feira (21) pela Justiça de São Paulo, com penas de 17 e 15 anos para os réus, sendo a maior pena aplicada ao principal acusado.
O homem que recebeu a pena mais severa também foi condenado por lesão corporal contra a vítima. A Justiça ainda determinou que ele e os outros dois réus paguem R$ 50 mil a título de reparação de danos à mulher mantida em cárcere. Além do cárcere privado, o grupo foi responsabilizado por formar uma associação criminosa armada e por crimes relacionados ao porte ilegal de armas, ameaças de morte e sequestro.
A promotora Fabíola Sucasas relatou que um dos condenados não aceitou o término do relacionamento de dois anos com a vítima, o que resultou em ameaças contra ela e seu novo parceiro, que acabou assassinado. Em janeiro de 2025, o réu abordou a mulher em frente ao hotel onde ela residia e exibiu um vídeo da execução de seu companheiro. Horas depois, ele a levou para um imóvel, que serviu como cativeiro.
Os acusados, armados, mantiveram a mulher sob ameaças por cerca de quatro horas, durante as quais ela foi agredida com socos e coronhadas, resultando em lesões visíveis. No dia seguinte, os outros dois réus chegaram ao local para vigiar a vítima enquanto o principal suspeito saía, afirmando que buscaria outra vítima.
Com a saída do homem, familiares da mulher, que estavam no Peru, acionaram a polícia para resgatá-la. As autoridades encontraram a vítima no cativeiro e realizaram a prisão dos dois que a vigiavam. Durante a operação, foram apreendidas armas, incluindo um revólver calibre .38, uma pistola calibre .45 e uma arma artesanal calibre .40, todas com a numeração raspada, além de munições.
A juíza Joanna Palmieri Abdallah, ao proferir a sentença, destacou a gravidade da situação, considerando o uso de armamento de alto poder ofensivo e o clima de terror instaurado na vítima e sua família. Ela também enfatizou as circunstâncias violentas do sequestro, que envolveram intimidação e agressões, reforçando a natureza criminosa da associação formada pelos réus.