Israel tem ampliado seus ataques contra o Líbano, com a intenção de que suas forças terrestres avancem além da faixa de 10 quilômetros ao sul do país. Essa escalada de ações militares se dá em meio a negociações em andamento entre os Estados Unidos e o Irã, que buscam um acordo de paz provisório. O Exército israelense anunciou que está enfrentando militantes do Hezbollah, um grupo apoiado por Teerã, e recentemente eliminou o novo líder do Hamas, também aliado do Irã, em Gaza.
A ofensiva de Israel, que já resultou na morte de milhares de pessoas e no deslocamento de mais de um milhão de indivíduos, ocorre em um contexto delicado, onde as conversações entre o Irã e os EUA para uma extensão de cessar-fogo avançam lentamente. O Irã condiciona o cessar-fogo a incluir todas as frentes, incluindo o Líbano, enquanto Israel se mostra relutante em aceitar limitações às suas operações, alegando que suas ações são necessárias para a proteção de suas comunidades contra os ataques de foguetes e drones do Hezbollah.
As negociações estão sendo mediadas por países como Paquistão e Catar, e embora haja uma sensação de progresso, Marco Rubio, secretário de Estado durante o governo de Donald Trump, alertou que a conclusão de um acordo pode levar mais alguns dias. As tensões permanecem elevadas, evidenciadas pela morte de soldados em uma operação norte-americana recente.
Além disso, um novo mecanismo para a passagem pelo Estreito de Ormuz está sendo discutido, o que é crucial para o comércio de petróleo e segurança na região. Um cessar-fogo frágil foi acordado no início de abril, mas as partes ainda precisam definir quais ativos financeiros iranianos serão desbloqueados e em que ritmo isso ocorrerá. O Irã reivindica o desbloqueio de US$ 12 bilhões assim que o memorando de entendimento, que as partes chamam de acordo provisório, for assinado.
Por outro lado, os defensores de uma linha mais dura nos EUA, incluindo o senador Lindsey Graham, podem resistir a um acordo e pressionar para retomar os bombardeios ao Irã. Apesar desse ceticismo, os operadores do setor energético se mostram otimistas quanto a uma resolução. O preço do petróleo Brent caiu 3% na quarta-feira, situando-se abaixo de US$ 97 por barril. A queda acumulada na semana é de mais de 5%, embora ainda permaneça bem acima dos níveis registrados no início do conflito, indicando que meses de estabilidade são necessários para normalizar a situação, caso o Estreito de Ormuz seja reaberto.