O Senado dos Estados Unidos, predominantemente composto por membros do Partido Republicano, demonstrou nesta terça-feira (19) um aumento na oposição à continuidade das hostilidades no Irã. A votação, que resultou em 50 votos a favor e 47 contra, representa um sinal claro de desconforto político em relação a um conflito que tem gerado um impacto financeiro significativo para a população americana.
O senador Bill Cassidy, da Louisiana, que recentemente enfrentou a retaliação do presidente Donald Trump em uma disputa partidária, uniu-se a outros três senadores republicanos para apoiar uma resolução que busca encerrar as operações militares. Esta é a primeira vez que Cassidy se alinha a essa proposta, o que indica uma possível mudança de postura em relação ao presidente, que tradicionalmente tem forte influência sobre o Partido Republicano.
A proposta de resolução, que ainda precisa de votação final, não interromperia imediatamente as operações militares, caso aprovada. Além disso, a medida necessitará da aprovação da Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, antes de ser submetida à sanção do presidente, que possui a capacidade de vetá-la.
Trump, por sua vez, anunciou que decidiu adiar um novo bombardeio ao Irã, que estava previsto para esta terça-feira, a pedido da Arábia Saudita e de outras nações do Golfo Pérsico. No entanto, o presidente não hesitou em ameaçar o Irã com um “grande ataque” caso o país não concorde em negociar um acordo com os Estados Unidos.
Além disso, o descontentamento popular com os custos econômicos da guerra tem aumentado. Recentemente, o preço médio da gasolina comum nos EUA subiu para US$ 4,53 por galão, o que tem gerado reclamações entre os cidadãos sobre o custo de vida. Uma pesquisa do New York Times/Siena revelou que 64% da população americana considera que a decisão de entrar em guerra com o Irã foi equivocada.
A resistência à continuidade da guerra também se reflete na Câmara dos Deputados, onde, na semana passada, houve um empate em uma votação relacionada à interrupção das hostilidades. Essa crescente oposição no Senado e na Câmara sugere uma mudança no cenário político em relação ao conflito no Irã, especialmente em um momento em que a insatisfação popular se intensifica após os altos custos financeiros associados à guerra.