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Crianças brasileiras enfrentam riscos climáticos alarmantes com a chegada do El Niño

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou uma nova análise que alerta para os riscos climáticos que afetam crianças e adolescentes No Brasil. Atualmente, mais de 30 milhões de jovens, cerca de seis em cada dez, já estão sujeitos a dois ou mais riscos climáticos. Dentre eles, 16 milhões enfrentam três ou mais riscos, o que representa uma situação preocupante em um contexto de crescente vulnerabilidade ambiental.

Eventos climáticos extremos têm demonstrado como os direitos das crianças podem ser severamente comprometidos. Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul impactaram a educação de 741 mil alunos, enquanto a seca extrema na Amazônia afetou 436 mil. No total, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram suas aulas interrompidas devido a esses desastres naturais, refletindo a gravidade da situação.

O fenômeno El Niño, que ocorre em ciclos naturais no Oceano Pacífico equatorial, é caracterizado por elevações nas temperaturas do oceano, influenciando padrões climáticos e meteorológicos ao redor do mundo. As mudanças climáticas e a degradação ambiental resultantes da ação humana têm potencializado os efeitos deste fenômeno, tornando suas consequências mais severas a cada novo ciclo. O El Niño ocorre em média a cada dois a sete anos, e suas implicações estão interligadas a outros fenômenos meteorológicos e às condições ambientais já existentes.

Diante das previsões mais recentes, o cenário se torna ainda mais urgente. Um boletim divulgado em 1º de setembro por órgãos oficiais indica uma probabilidade superior a 90% de que o fenômeno El Niño atinja uma intensidade muito forte no trimestre de setembro a novembro. Para este período, espera-se que haja chuvas abaixo da média em grande parte do Norte e Nordeste, enquanto o Sul deve registrar precipitações acima da média, juntamente com temperaturas elevadas em quase todo o país.

Essas condições climáticas adversas podem prolongar períodos de estiagem e calor, aumentando o risco de desastres que podem interromper não apenas as aulas, mas também a alimentação escolar e outros serviços essenciais. As redes de ensino são incentivadas a revisar seus planos de gestão de riscos e a preparar alternativas para garantir a continuidade da aprendizagem, como a educação em casa.

Além disso, as perdas de moradia, emprego ou produção afetam diretamente a capacidade das famílias de atender às suas necessidades básicas. É fundamental que os sistemas de proteção social estejam preparados para responder a esses choques, mantendo ou ampliando benefícios e conectando rapidamente as famílias afetadas aos serviços essenciais. A atualização dos cadastros de famílias vulneráveis em áreas de risco é uma medida necessária antes que os desastres ocorram.

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