Durante O Grande Debate, exibido na segunda-feira (25), os comentaristas Vinicius Poit e José Eduardo Cardozo debateram a proposta que visa o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentou os termos de um acordo com o presidente Lula (PT) sobre a PEC que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem cortes salariais, em um período de transição de um ano.
A implementação da redução ocorrerá em duas fases. De acordo com Hugo Motta, 60 dias após a promulgação da PEC, caso seja aprovada pela Câmara e pelo Senado, haverá uma primeira diminuição de duas horas na carga horária semanal. Após um ano, as duas horas restantes serão reduzidas, completando assim a transição para a jornada de 40 horas.
"A transição de um ano dá para perfeitamente você ir ajustando. É até longa a transição", comentou Motta. O deputado Léo Prates apresentou um relatório que abrange os mesmos pontos discutidos.
Poit expressou ceticismo quanto à possibilidade de que a transição de um ano altere significativamente o cenário eleitoral. Ele criticou a proposta, considerando-a como um exemplo de populismo, afirmando que atender a um anseio social sem uma análise técnica adequada é irresponsável. "Fazer isso somente com medida populista, sem fazer conta, sem avaliar qual setor, com uma canetada que vale para a grande empresa e vale também para a padaria da esquina, não funciona", afirmou.
Por outro lado, José Eduardo Cardozo defendeu a proposta, considerando-a como uma medida justa e necessária. Ele argumentou que historicamente, conquistas de direitos trabalhistas foram acompanhadas de previsões negativas que não se concretizaram. "Eu nunca vi nenhum direito trabalhista desde o século XIX ser concedido sem que houvesse uma afirmação de que isso vai prejudicar a economia, vai gerar desemprego", disse Cardozo.
Além disso, Cardozo rebateu as alegações sobre o impacto econômico, destacando que os estudos disponíveis indicam um efeito relativamente pequeno. Para ele, essa medida representa uma recuperação histórica de direitos trabalhistas. "O que é correto não é populismo, é uma recuperação histórica daquilo que é injusto", concluiu.