Especialistas em segurança viária discutiram a necessidade de reformular a formação de motoristas no Brasil, enfatizando a importância do comportamento humano e da percepção de riscos. O debate foi promovido pela comissão especial da Câmara dos Deputados, que analisa o Projeto de Lei 8085/14 e outras propostas relacionadas ao Código de Trânsito Brasileiro.
O relator da comissão, deputado Aureo Ribeiro, questionou como o conceito de 'Visão Zero' poderia ser aplicado na formação inicial de motoristas. Este conceito global considera inaceitável qualquer morte ou lesão grave no trânsito, e Ribeiro busca um modelo de aprendizado que atenda às metas de segurança da ONU.
De acordo com Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária, o modelo atual de formação é ineficaz, pois prioriza habilidades mecânicas em detrimento da capacidade dos motoristas de perceber riscos. Ele argumenta que o comportamento dos condutores é a principal causa das mais de 37 mil mortes anuais no trânsito brasileiro.
Para Francisco Garonce, do Instituto Nacional de Projetos para Trânsito e Segurança, a formação para o trânsito deve ser incluída no ensino médio, tratando o assunto como um conhecimento técnico e prático. A presidente da Associação de Trânsito de Santa Catarina, Yomara Ribeiro, criticou a flexibilização recente do processo de obtenção da CNH, considerando as propostas como um discurso populista que ignora a realidade atual.