A Justiça acolheu a denúncia apresentada contra duas mulheres acusadas de torturar 34 crianças, com idades entre 1 e 6 anos, em uma creche. A 2ª Vara Criminal da Comarca de Alvorada, que é especializada em crimes contra crianças e adolescentes, recebeu a denúncia na segunda-feira (06). As denunciadas, gestora e professora da instituição, estão envolvidas em práticas de sofrimento físico e mental como punições e castigos. O juiz Roberto Palopoli decidiu manter a prisão da gestora, cuja defesa apresentou respostas às acusações na quarta-feira (08). Já a manifestação da defesa da professora ainda está pendente.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul, os crimes teriam ocorrido entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, período em que as mulheres teriam agido de forma sistemática com agressões físicas e psicológicas. Isso incluía gritos, humilhações e confinamento em sala escura, afetando as crianças sob sua responsabilidade. Além disso, as acusadas também são suspeitas de administrar medicamentos sedativos para que as crianças dormissem, o que agrava ainda mais a situação relatada.
A promotora de Justiça Karen Mallmann destacou que o local apresentava más condições de higiene e negligência em relação à alimentação dos alunos. A denúncia ainda menciona que a gestora teria ameaçado a mãe de uma das crianças, afirmando que “não sabia com quem estava mexendo”.
No dia 03 de março deste ano, a Brigada Militar, em operação nas cidades de Canoas e Alvorada, prendeu preventivamente a gestora e a professora. A ação foi realizada por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). No dia 30, o MP-RS havia formalizado a denúncia, que apontava que as crianças estavam sendo submetidas a agressões físicas e psicológicas, além de negligência, há pelo menos um ano na instituição.
A denúncia do MPRS classifica os atos como tortura qualificada, destacando o descumprimento do dever de ofício e a vulnerabilidade das vítimas. Os relatos de agressão incluem gritos, humilhações, apelidos pejorativos e confinamento, além da falta de cuidados adequados em relação à alimentação e à higiene dos utensílios utilizados no dia a dia das crianças.