Em abril de 1987, a epidemia de AIDS era marcada pelo medo e pela falta de informação. Apesar de médicos e pesquisadores já terem esclarecido que o HIV não se espalha por meio de toques, abraços ou convivência diária, muitos acreditavam no contrário. Pessoas que viviam com HIV eram frequentemente abandonadas por suas famílias, demitidas de seus empregos e tratadas como ameaças apenas por existirem.
Essa realidade começou a se transformar no dia 9 de abril de 1987, durante a inauguração da ala Broderip do Middlesex Hospital, em Londres na Inglaterra, uma das primeiras unidades no Reino Unido dedicadas ao tratamento de pacientes com HIV/AIDS. A Princesa Diana, ao visitar os leitos e conversar com os internados, realizou um gesto que, à primeira vista, parecia simples, mas que na época foi revolucionário. Ela apertou a mão de um paciente diante das câmeras, sem usar luvas.
A imagem daquele momento desafiou anos de preconceito. Se uma das mulheres mais fotografadas do mundo não temia tocar um paciente com AIDS, por que a sociedade deveria ter esse receio? Esse gesto se tornou um marco na luta contra o estigma associado à doença, ajudando milhões a entender que o vírus não se transmite pelo contato físico.
Entretanto, essa ação não foi um ato isolado. Diana transformou a luta contra a AIDS em um compromisso pessoal, repetindo a atitude em diversas partes do mundo. Em 1989, ela visitou o Harlem Hospital, em Nova York, onde interagiu com homens, mulheres e crianças vivendo com HIV, segurando suas mãos e oferecendo apoio em um momento de grande visibilidade midiática.
Dois anos depois, em outubro de 1991, a princesa esteve no Casey House, em Toronto, o primeiro hospice especializado em AIDS do Canadá. Durante essa visita, caminhou pelos corredores sem qualquer receio, sentou-se ao lado dos pacientes, ouviu suas histórias e mais uma vez apertou suas mãos, mostrando que o medo era fruto de desinformação e não de conhecimento científico. Essa visita é considerada um dos momentos mais significativos na história da instituição.
Além dessas visitas, Diana utilizou seus discursos e entrevistas para afirmar que pessoas com HIV “não tornam ninguém perigoso ao conhecê-las” e enfatizava a necessidade de apoio em vez de exclusão. Sua abordagem era direta: evidenciar na prática o que a ciência já afirmava.