Os húngaros irão às urnas no próximo dia 12 de abril. O Partido Respeito e Liberdade (Tisza), de centro-direita, pode conquistar a maioria dos votos, mas isso não significa necessariamente o fim da gestão de 16 anos do primeiro-ministro Viktor Orbán, do partido União Cívica Húngara (Fidesz).
Essa situação ocorre porque Orbán tem utilizado um livro de regras eleitorais que ele mesmo ajudou a elaborar, o que lhe permite potencialmente vencer mesmo perdendo. Pesquisas indicam que o Tisza possui cerca de 53% dos votos, enquanto o Fidesz tem aproximadamente 39%. No entanto, estudos encomendados pelo partido no poder mostram uma diferença menor entre os dois grupos políticos, com vantagem para o Fidesz.
A legislação eleitoral na Hungria foi modificada por Orbán ao longo dos últimos 15 anos, permitindo que o partido no poder mantenha esperanças de continuidade. O número de cadeiras no Parlamento foi reduzido de 386 para 199, e o sistema de escolha foi alterado para uma estrutura híbrida, onde 106 deputados são eleitos em distritos uninominais e 93 por meio de um sistema proporcional nacional.
Os eleitores votam em duas cédulas: uma para uma lista partidária e outra para um candidato local. Assim, mesmo que a oposição vença a votação da lista nacional, pode perder se o Fidesz dominar as disputas nas circunscrições menores. A geografia política da Hungria ainda favorece o Fidesz, que tem forte presença na área rural, enquanto o Tisza é mais forte em Budapeste e cidades maiores.