A decisão de Abu Dhabi de deixar a Opep, anunciada no dia 28 de setembro de 2023, evidencia um desgaste significativo nas relações entre Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita. Essa rivalidade, que se intensificou ao longo dos anos, ganhou um novo impulso após os desdobramentos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Para muitos analistas, essa saída representa um movimento do "irmão menor" buscando autonomia em relação ao "irmão mais velho".
A Saída dos Emirados pode ter impactos consideráveis no mercado global de petróleo, especialmente em um momento de alta sensibilidade geopolítica. O cartel da Opep, que já enfrentava desafios para manter sua relevância, agora precisa lidar com a nova dinâmica do mercado, onde a oferta de petróleo já está apertada. A decisão de deixar a Opep também levanta questões sobre a participação dos Emirados em outros organismos regionais sob influência saudita.
Fontes indicam que Os Emirados estão considerando congelar sua participação na Liga Árabe e na Organização para Cooperação Islâmica, além de avaliarem sua posição dentro do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Apesar de reafirmarem seu compromisso com o CCG, o assessor diplomático do presidente dos Emirados, Anwar Gargash, já havia mencionado que o bloco enfrenta um de seus momentos mais frágeis.
Um funcionário dos Emirados ressaltou que o país está revisando sua atuação em diversas organizações multilaterais, sem, no entanto, discutir saídas formais. A insatisfação com outros países árabes, como Bahrein e Kuwait, parece ser um fator relevante nessa análise. Gargash destacou que o CCG vive um momento crítico, onde a ameaça à segurança regional se intensifica.
Do ponto de vista econômico, a decisão de se retirar da Opep está alinhada com a estratégia dos Emirados de diversificar sua economia, que já apresenta superávits fiscais. Essa realidade contrasta com a situação da Arábia Saudita, que fechou o ano de 2023 no vermelho e deverá enfrentar déficits nos próximos anos, a menos que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz eleve ainda mais os preços do petróleo.
A análise de Nadim Koteich sugere que a decisão dos Emirados de sair da Opep faz sentido do ponto de vista econômico, destacando que o timing político ocorreu em um momento de tensões geopolíticas. O fechamento de Ormuz impactou a oferta global de energia, elevando os preços do petróleo para além de US$ 100 o barril.