O jogador Neymar, figura polêmica entre os torcedores brasileiros, conquistou uma base de admiradores que não se limita ao futebol. Entre esses fãs, surgiu o termo ‘neysexual’, utilizado por homens heterossexuais que afirmam sentir atração pelo atleta. Essa expressão, que ganhou popularidade nas redes sociais, reflete um fenômeno cultural que se desdobra em diversas interpretações.
Apesar de o termo remeter a um neologismo que sugere uma nova orientação sexual, a concepção de ‘neysexualidade’ não possui sustentação nas áreas da psicologia ou sexologia. Cláudio Paixão, doutor em psicologia social e docente da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esclarece que a atração por uma única figura não pode ser considerada uma identidade ou orientação sexual. Para ele, o que se observa é um fenômeno emergente que se inicia como um meme e se desenvolve na mesma linha.
Cláudio Paixão ressalta que, embora a expressão possa parecer trivial, ela abre espaço para discussões mais profundas sobre a masculinidade. O especialista indica que essa brincadeira virtual permite que homens, mesmo aqueles que se inserem em contextos tradicionais de masculinidade, expressem sua admiração por outros homens. Essa dinâmica é considerada significativa do ponto de vista da psicologia social.
O conceito de ‘neysexual’ não apenas reflete a admiração, mas também o desejo de identificação com figuras masculinas admiradas. Essa admiração pode manifestar-se em sentimentos de fascínio e no desejo de se assemelhar a essas pessoas. A discussão sobre a expressão revela, portanto, um aspecto interessante da cultura contemporânea e das relações sociais entre homens.
O uso do termo ‘neysexual’, embora oriundo de um contexto humorístico, provoca reflexões sobre a forma como a masculinidade é construída e percebida na sociedade atual. O fenômeno destaca a possibilidade de os homens expressarem suas emoções e admirações de maneira mais aberta, desafiando estereótipos e normas que historicamente delimitam o que é aceitável no comportamento masculino.
Com informações otempo.com.br