O senador Flávio Bolsonaro (PL) planeja protocolar uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta incitação ao crime. A intenção surge após Lula, em um evento em Goiás, afirmar que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) "são traidores" e questionar: "Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores?".
A fala de Lula fez alusão à recente viagem de Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos, onde se reuniram com o ex-presidente Donald Trump. Essa visita ocorre em um momento delicado, pois menos de uma semana após o encontro, o governo americano anunciou a possibilidade de novas tarifas sobre exportações brasileiras.
Eduardo Bolsonaro já havia sido apontado como um articulador de ações junto à Casa Branca que poderiam prejudicar o governo Lula. Contudo, a diplomacia brasileira conseguiu reverter as sanções que estavam sendo discutidas, e Trump passou a manter uma postura mais favorável ao governo atual.
Durante um evento na Câmara de Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro caracterizou as palavras de Lula como uma "ameaça de morte" a um adversário político. Ele questionou o que aconteceria se o ex-presidente Bolsonaro tivesse proferido declarações semelhantes sobre Lula. "É de indignar. Não é surpresa para mim, porque eu já sei o que pode vir desses caras. Mas olha o que ele fala aqui", disse o senador, que reproduziu o áudio do discurso de Lula em um alto-falante.
Flávio Bolsonaro reforçou que a palavra coragem prevalece em seu vocabulário, em contraste com a suposta ameaça de Lula, que sugeriu que ele deveria ser "enforcado". O senador, que estava em Minas Gerais, lembrou a história de Tiradentes, um símbolo de liberdade no estado, mencionando a bandeira que proclama "liberdade, ainda que tardia".
Além disso, Flávio insinuou que a declaração de Lula poderia ser um "apito de cachorro", uma expressão que se refere a comandos que provocam reações. Ele expressou preocupação de que a fala do presidente pudesse incitar grupos como PCC e CV a agir contra ele. "Espero que não tenha sido essa a intenção dele. Não vai ser com ameaça de morte à minha pessoa ou a aliados que ele vai me desencorajar", declarou o senador.