Os trabalhadores terceirizados da Comunicação da TV e Rádio Justiça estão em greve há mais de 24 horas, após a primeira rodada de negociações com o Supremo Tribunal Federal (STF) não resultar em acordo. A paralisação foi mantida por tempo indeterminado, o que compromete as transmissões dos julgamentos programados para esta semana. A situação é especialmente crítica, pois os julgamentos da Primeira e Segunda Turmas estão agendados, incluindo o do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, marcado para às 14h desta terça-feira (16).
A greve causa um impacto direto na transparência das atividades do STF. Nos dias 16, 17 e 18, mais de 10 julgamentos estão confirmados, e a ausência dos comunicadores, que somam 160 profissionais, prejudica a divulgação das decisões, tornando as informações mais difíceis de serem compreendidas pelo público em geral. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) alertou que a falta de tradução das decisões em linguagem acessível compromete o princípio constitucional da publicidade.
Além disso, a paralisação já alterou a programação da emissora. Programas tradicionais, como o Justiça Agora, não estão sendo exibidos, e o principal telejornal da emissora, o Jornal da Justiça, que vai ao ar às 18h30, teve que ser transmitido de forma improvisada, utilizando materiais de arquivo e de outros tribunais para evitar um completo apagão na programação. As lacunas deixadas foram preenchidas com reprises e mostras musicais ao longo do dia.
O impasse trabalhista é liderado pelo SJPDF e pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão do DF (Sinrad-DF), que denunciam ilegalidades cometidas pela empresa terceirizada responsável pela fundação do STF. A situação se agrava, pois o contrato com a fundação está prestes a se encerrar, gerando incertezas sobre o pagamento das verbas rescisórias.
Na noite de segunda-feira (15), representantes dos trabalhadores se reuniram com o Secretário de Orçamento, Finanças e Contratações do STF para discutir as reivindicações. O tribunal afirmou que está analisando a possibilidade de reter repasses à fundação para garantir os direitos dos profissionais. No entanto, os representantes da Suprema Corte ressaltaram que não possuem informações detalhadas sobre o pagamento das dívidas da terceirizada e que solicitarão esclarecimentos à Fundac.
Em nota, as direções do SJPDF e do Sinrad-DF reafirmaram que a continuidade da greve dependerá da avaliação das propostas apresentadas e enfatizaram que a mobilização ainda persiste. Os trabalhadores insistem na formalização das promessas feitas durante as negociações e afirmaram que a greve continua.