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Iniciativa promove tratamento gratuito para doenças negligenciadas na região amazônica

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O seringueiro e agricultor familiar Augusto Bezerra da Silva, de 65 anos, foi diagnosticado com a Doença Jorge Lobo aos 20 anos, condição que impactou profundamente sua vida no interior do Acre. Conhecida também como lobomicose, a enfermidade provoca lesões nodulares que se assemelham a queloides em diversas partes do corpo, como orelhas, braços e pernas. Essa situação causa um efeito psicológico significativo, levando muitos pacientes a se isolarem devido ao estigma associado à doença.

No relato de Augusto, a condição o forçou a interromper suas atividades, pois as lesões começaram a aparecer em seu rosto, trazendo dor e coceira. Ele enfatiza o impacto negativo que a doença teve em sua autoestima e como isso o levou a se afastar até mesmo de sua família. "O problema que eu passei não foi fácil. Você, novinho, você se acha perfeito, sem defeito. Aí depois você tem que se isolar", compartilhou.

A Doença Jorge Lobo foi identificada pela primeira vez em 1931 pelo dermatologista Jorge Oliveira Lobo, que descreveu a micose em Pernambuco. A infecção se dá pela penetração do fungo em lesões cutâneas, podendo resultar em desfiguração severa e incapacidade ao longo do tempo.

Os Dados do Ministério da Saúde revelam que, até o momento, foram registrados 907 casos da doença, sendo 496 apenas no Acre, onde Augusto reside. Essa condição atinge, em sua maioria, populações ribeirinhas, povos originários e trabalhadores extrativistas, que frequentemente se encontram em situações de vulnerabilidade social e têm acesso limitado a serviços de saúde.

Recentemente, um projeto lançou um manual que visa aprimorar o diagnóstico, tratamento e prevenção da lobomicose, além de fortalecer a capacidade de acolhimento das populações afetadas. O infectologista responsável pela iniciativa destacou que este manual representa um marco significativo para uma doença que, por muito tempo, foi negligenciada.

Almeida Jr. mencionou que o próximo passo será a criação de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), previsto para ser lançado até 2026. Este documento buscará compilar dados obtidos através do acompanhamento dos pacientes tratados com itraconazol e discutir a continuidade do projeto, com a intenção de garantir um legado duradouro para o tratamento adequado dos pacientes afetados. A expectativa é que a Doença de Jorge Lobo deixe de ser considerada uma enfermidade negligenciada no futuro.

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