Um tribunal sírio proferiu, nesta terça-feira (11), penas de morte à revelia para o ex-presidente Bashar al-Assad e seu irmão, Maher, por crimes de guerra e contra a humanidade, em decorrência do conflito que assola a Síria há 14 anos. As sentenças foram determinadas pelo 4º Tribunal Criminal de Damasco e representam as primeiras decisões judiciais contra Assad e seus aliados próximos desde a derrubada do regime da família Assad, ocorrida há 20 meses.
Durante a audiência, que foi transmitida ao vivo pela TV estatal, o juiz Fakhareddine al-Aryan destacou que Bashar al-Assad utilizou estruturas do Estado para perpetrar atos de violência e violação de direitos humanos. O julgamento incluiu também a condenação de Atef Najib, primo de Assad, que recebeu a mesma pena por sua supervisão na repressão às manifestações na província de Daraa, um evento que foi crucial para o início do levante e, posteriormente, da guerra civil.
Atef Najib, que é alvo de sanções impostas pelo Departamento do Tesouro dos EUA desde abril de 2011, estava sob forte esquema de segurança no tribunal, onde permaneceu vestido com uniforme de prisioneiro enquanto a sentença era lida. A situação no tribunal atraiu a atenção de um grupo de pessoas que se reuniu nas proximidades para acompanhar o desfecho do caso.
Após a queda do governo em dezembro de 2024, Assad e Maher buscaram refúgio na Rússia, onde foram concedidos asilo político. As novas autoridades sírias solicitaram à Rússia a extradição dos irmãos, buscando a responsabilização pelos crimes cometidos durante o regime.
Maher al-Assad, por sua vez, foi comandante da 4ª Divisão Blindada do Exército sírio e é acusado por ativistas de estar envolvido em atos de assassinato, tortura, extorsão e tráfico de drogas, além de operar centros de detenção clandestinos. Sua atuação e a repressão brutal aos protestos em Daraa, que se intensificaram após a detenção e tortura de adolescentes em 2011, foram fatores que contribuíram para a escalada do conflito e a eventual guerra civil, que culminou na derrubada de Assad após uma ofensiva relâmpago de forças rebeldes.
Com informações midiamax.com.br