O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez declarações contundentes sobre a política externa dos Estados Unidos, acusando o país de desconsiderar convenções diplomáticas reconhecidas internacionalmente para atender a interesses próprios. Durante uma entrevista veiculada nesta sexta-feira pela televisão estatal russa, Lavrov destacou que as ações de Washington, especialmente em relação à América Latina e ao Oriente Médio, estão criando um cenário de desrespeito ao direito internacional.
Lavrov exemplificou suas afirmações citando a postura dos EUA em relação ao Irã e à Rússia, mencionando que as autoridades norte-americanas não demonstram intenção de renovar isenções petrolíferas. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também fez comentários sobre a situação do petróleo russo, indicando que este já foi absorvido pelo mercado, o que sugere uma possível escassez futura.
Além disso, Lavrov insinuou que os EUA não hesitam em utilizar medidas extremas para alcançar seus objetivos, incluindo golpes e até assassinatos de líderes de países ricos em recursos naturais. Ele mencionou diretamente a Venezuela e o Irã como alvos da doutrina de dominação energética norte-americana.
O ministro russo também criticou a forma como os EUA isolaram a Europa ao pressionar países europeus a se desvincularem do gasoduto Nord Stream, que atualmente está danificado e transportava gás russo para a Alemanha. Lavrov argumentou que essa abordagem representa uma tentativa de retroceder às práticas coloniais, invocando um passado em que as potências impunham suas vontades sobre outras nações.
Em relação ao conflito na Ucrânia, Lavrov observou que, mesmo na busca por um acordo para encerrar a guerra, os EUA continuam a promover seus próprios interesses econômicos, enquanto, paralelamente, estão excluindo a Rússia dos mercados globais de energia. Ele concluiu afirmando que, para que haja uma colaboração mútua, os interesses russos também precisam ser respeitados, algo que, até o momento, não está sendo observado nas relações com Os Estados Unidos.