Na última quinta-feira (28), o presidente Lula (PT) participou de uma sabatina no Jornal Nacional, onde tinha como uma de suas principais missões demonstrar que as ações de seu filho, Fabio Luis, não resultaram em favorecimentos para lobistas que buscavam acesso ao governo. Durante a entrevista, o presidente deveria ter afirmado que os lobistas conseguiram apenas um encontro com representantes de ministério e foram rejeitados ao tentarem apresentar propostas, como a venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde.
Entretanto, Lula optou por afirmar que nunca havia visto Roberta Luchsinger pessoalmente. Essa mulher, mencionada em conversas interceptadas pela Polícia Federal, se orgulhava de ter se aproximado do círculo de poder. A imagem de Lula ao lado de Luchsinger, que ele havia chamado de “picareta”, acabou comprometendo sua estratégia de defesa, levantando dúvidas sobre a credibilidade de suas respostas.
Além disso, uma das prioridades do presidente era transmitir calma e segurança, mas isso foi prejudicado por seu desconforto durante a entrevista. Em determinado momento, ele se viu explicando para Renata Vasconcellos como funciona o jornalismo, o que gerou uma percepção negativa sobre sua postura.
Lula também fez uma observação pertinente ao afirmar que as suspeitas que cercam seu filho, que ainda estão em fase de especulação, não deveriam ocupar tanto tempo de uma sabatina que poderia ser direcionada a discutir suas entregas e projetos. Ele destacou que não utilizaria a Polícia Federal para beneficiar ninguém, fazendo uma referência à pressão exercida por Jair Bolsonaro sobre o então ministro da Justiça, Sergio Moro, para alterar o comando da PF durante investigações que envolviam seu filho, que atualmente é candidato à presidência.
Os apresentadores do JN demonstraram uma postura incisiva, e a risada de Flávio Bolsonaro (PL) em resposta a algumas colocações de Lula foi considerada inadequada. O filho de Jair Bolsonaro foi o último a ser interrogado pela equipe do JN, e a expectativa é que sua participação não seja recebida da mesma forma descontraída que ele apresentou na entrevista com o presidente.