A recente proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na terça-feira (2/6) pelo USTR, foi interpretada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um presente eleitoral. O anúncio ocorreu logo após a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos, o que foi considerado uma vitória para o grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Além das implicações econômicas, a situação reacende um tema que, segundo pesquisas internas do PT, é crucial: a defesa da soberania nacional.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro lamentou o momento do anúncio, enquanto a militância petista começou a viralizar nas redes sociais a expressão “TARIFLÁVIO”. O presidente Lula, por sua vez, associou a postura de Flávio e Eduardo Bolsonaro a uma submissão aos interesses norte-americanos, o que contraria os interesses brasileiros. Essa estratégia busca deslegitimar o rival político em um contexto eleitoral cada vez mais acirrado.
No mesmo dia do anúncio, Lula fez um discurso contundente em Catalão (GO), onde criticou abertamente o clã Bolsonaro, chamando Eduardo e Flávio de “vendilhões da pátria” e “traidores”. Durante a fala, Lula também se referiu a Flávio Bolsonaro como “imbecil” por ter supostamente solicitado a Trump que taxasse Lula, o que, segundo ele, acabou prejudicando o povo brasileiro.
Em um evento noturno em Goiás, o presidente acrescentou que Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos para pedir a intervenção de Trump no sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, que é objeto da Seção 301, legislação que permite a investigação e punição de práticas comerciais consideradas prejudiciais às empresas dos EUA.
Outras autoridades do governo, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também se manifestaram, unindo críticas à postura de Washington com reprovações à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos. A nota oficial do governo brasileiro, que mencionou Flávio e sua família, é uma ação incomum e reafirma as acusações de tentativa de ingerência em assuntos internos do Brasil.
Essas ações fortalecem a narrativa do campo petista de que a atuação da família Bolsonaro compromete os interesses econômicos do país. Além disso, reacendem o discurso de defesa da soberania, que foi fundamental para Lula recuperar sua popularidade no passado, após se opor às tarifas impostas pelo governo Trump em represália à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações jota.info