No dia 16 de março de 1968, a aldeia de My Lai, localizada na província de Quảng Ngãi, tornou-se um marco na HISTÓRIA da violência militar contemporânea durante a GUERRA do Vietnã. Naquela manhã, aproximadamente 120 soldados da Companhia Charlie, parte do 1º Batalhão do 20º Regimento de Infantaria da 23ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos, desembarcaram de helicópteros com a missão de realizar uma operação de "busca e destruição" para localizar e eliminar supostos combatentes do Vietcong.
O comando da operação estava sob responsabilidade do capitão Ernest Medina, enquanto a execução das ordens cabia ao tenente William Calley. Antes da chegada das tropas, a artilharia americana já havia bombardeado a região, com os impactos atingindo áreas próximas às residências, forçando os moradores a se refugiarem em abrigos improvisados.
A Companhia Charlie, que chegou ao Vietnã em 1967, apresentava um treinamento técnico considerado bom. No entanto, na prática, a unidade não estava preparada para os desafios dessa GUERRA. Muitos dos oficiais e sargentos mais experientes foram removidos antes do envio, resultando na formação de uma tropa composta por jovens soldados e suboficiais sem experiência real de combate, que se viam repentinamente encarregados de liderar em um cenário bélico complexo.
A composição demográfica da Companhia Charlie era diversa, com cerca de metade dos soldados sendo afro-americanos provenientes de diversas regiões dos Estados Unidos. Apesar da inexperiência e das circunstâncias que antecederam o massacre, poucos fatores podem explicar a brutalidade que esse grupo específico demonstrou. A natureza da GUERRA do Vietnã, marcada pela falta de um inimigo visível e pela ausência de combate convencional, contribuiu para uma desumanização que culminou em atos de violência extrema.
O episódio de My Lai não se limitou a ser um evento isolado; para estudiosos como Nick Turse, ele representa um ponto visível de um padrão mais amplo de violência estrutural nas operações de contrainsurgência. O medo, a perda do controle tático e a desumanização do inimigo, aliados ao colapso da liderança, criaram um ambiente propício para o massacre, que foi documentado em fotografias que garantiram sua permanência na memória coletiva.
A intervenção do helicóptero de Hugh Thompson Jr., que atuou diretamente para salvar civis, inicialmente foi recebida com hostilidade dentro da estrutura militar, mas sua coragem foi posteriormente reconhecida, resultando em condecorações como a Distinguished Flying Cross e a Soldier’s Medal, ambas honrarias significativas para bravura sem combate direto.